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OS MODERNOS SENHORES DE ENGENHO

por Artemis Zamis

Era junho de 1720 quando o Bispo Monsenhor Belsunce, atônito, percorre as ruas de Marselha na França para confortar pessoas que morriam nas ruas vitimas da peste negra. O chefe de policia, Cavaleiro Roze, se viu obrigado a libertar mais de 200 presos, para que pudessem ajuda-lo a incinerar milhares de corpos que se acumulavam nas ruas. Eram mais de mil mortos por dia. Em dois meses, Marselha viria a perder metade de seus 100 mil habitantes vitimas da peste que assolou a cidade naquele ano. Tanto o Monsenhor Belsunce, como o chefe de policia Roze, não imaginavam que toda aquela mortandade de seus compatriotas tinha seu começo no navio Grand Saint-Antoine que chegara ao porto de Marselha, no dia 25 de maio daquele ano, carregado de valiosos tecidos e fardos de algodão totalmente contaminados com o bacilo de Yersin que seria o causador da peste de Marselha, ou segunda epidemia da peste negra na França.

A regra de que o navio, primeiro, deveria ficar em quarentena antes de ancorar, não foi cumprida em face da forte pressão dos comerciantes locais, que no afã de seus valiosos lucros, armaram um complô com os proprietários da embarcação para que evitassem a comprometedora quarentena e promovessem a ancoragem e o imediato desembarque da carga, com o único intuito de proteger seus ganhos e evitar perdas na economia local. Além dos tecidos contaminados, 10 tripulantes já estavam com os sintomas e foram eles os responsáveis pela proliferação mais imediata na população.

Hoje, em abril de 2020, o Brasil e o mundo passam pela maior  pandemia já ocorrida no planeta que é a do Covid-19, que já matou mais de 214 mil pessoas no mundo, com quase 4 milhões contaminados. O Brasil já passa a China em número de mortos, chegando ao total de mais de 5 mil óbitos em todo o país nos últimos 42 dias. Foram 474 óbitos só nas ultimas 24 horas, até o fechamento desse texto. Corpos estão sendo enterrados em Manaus-AM empilhados, e algumas famílias estão sendo obrigadas a enterrarem seus parentes com as próprias mãos, por falta de coveiros disponíveis.

Não tivemos nenhum Gran Saint-Antoine como emissário desta pandemia. Não temos nenhum Bispo Belsunce e o chefe de polícia Roze não está mais aqui pra ajudar a enterrar corpos que se acumulam em todo os lugares do país. O que temos aqui, como em Marselha, são os mesmo cruéis e gananciosos empresários que esta semana promoveram uma das mais deprimentes e grotescas cenas na Paraíba, onde obrigaram seus funcionários a permanecerem de joelhos em frente as suas lojas para pedirem a reabertura do comércio e o fim do isolamento social, com o mesmo intuito e as mesmas razões daqueles de 1720. É o nefasto capital e seus modernos senhores de engenho montando no proletariado submisso, em troca de migalhas de salários. Estão respaldados pelo governo neofascista que se instalou no país e que apoia e incentiva o fim do isolamento social, indo de encontro a todas as recomendações da OMS e autoridades de saúde.

O presidente do país trata a pandemia com o mais infame e cruel desdém, que só vimos nos livros de histórias, sobre os mais sanguinários governantes que já passaram por entre nós humanos. No auge da pandemia, com hospitais sem leitos, médicos tendo que escolher quem vive e quem morre por falta de respiradores, o presidente prefere ir a um stand de tiros treinar. Seus últimos dias tem sido ocupado por criar confusões, todo tipo de atrito, denúncias de ex-ministros, nomeações suspeitas, divulgações de mentiras, declarações estapafúrdias. A incompetência e o despreparo não só dele, mas de toda a sua equipe, é assustadora e vergonhosa. Não podemos deixar de creditar todo esse insucesso a todo esse governo que mais parece uma orquestra de instrumentos desafinados. Contribuem, e muito, para que nossa estatística pandêmica seja uma das maiores do mundo. A vida não tem valor algum. Apenas o lucro importa.

Bolsonaro precisa ser retirado de seu cargo. Não importa qual o caminho agora. Importa apenas que seja retirado. Não é nada razoável, como muitos pensam, que tenhamos que largar o presidente cometendo crimes todos os dias para nos dedicarmos a pandemia, e só depois cuidar de tirá-lo. O Brasil sem Bolsonaro sai da crise econômica e da pandemia muito mais rápido que com ele. Só o povo unido e ninguém mais, somos capazes de mudar. Fora Bolsonaro e todos esses modernos Senhores de engenho, que embora não tenham sido contaminados pelo vírus impregnados nos tecidos e nos fardos de algodão de Marselha, foram contaminados pela insensatez e pela ganancia capitalista vergonhosa e nefasta dos dias atuais, promovendo e ajudando a dizimar seus concidadãos.

“Não sois máquinas! Homens é que sois!”
Charles Chaplin

Pense nisso e…

Fique em casa.

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UM OLHAR DE ESPERANÇA

por Artemis Zamis

Da janela do quarto agora, posso ver passar alguns transeuntes, uns com mascaras, outros sem, olhares cabisbaixos, passos curtos, braços que nem se mexem, parecem perdidos, e alguns deles olham apenas o horizonte, um pouco escuro pelo cair da tarde e com o céu em nuvens opacas prometendo talvez uma chuva que as vezes nunca vem. Mas continuam passando. Uns com sacolas de supermercado não muito cheias, outros com algumas frutas e passam. Apenas um jovem passa em uma bicicleta já meio surrada e pedala rumo a algum lugar que nem ele mesmo talvez saiba. Um outro passeia com seu skate. Escurece um pouco mais. Aquele movimento intenso de pessoas vindo de seus trabalhos, outros descendo dos ônibus exaustos de seus afazeres do dia a dia, apressados para chegarem em suas casas e tomarem seus banhos,  outros com seus carros vindo de festas, bares, shows, trazendo consigo ainda cheiro do último gole de cerveja, não existe mais. Restou apenas a rua agora. Acenderam as luzes dos postes de concreto e vejo apenas a penumbra. Um vento leve traz um friozinho próprio das noites de outono, e ouço apenas o farfalhar de folhas de algumas poucas árvores que sobraram na rua larga, de calçadas também largas e bem acabadas, com caprichos peculiares de cada morador.

A pandemia mudou tudo. Mudou a minha rua, mudou o meu bairro, a cidade, o país, o mundo. Mudou a vida das pessoas, mudou as perspectivas, mudaram-se os sonhos. Foi tudo rápido como um flash, dormimos em um país já conturbado pelas leviandades de um governo tosco e acordamos em outro mais conturbado ainda. Nos separamos de nossos filhos, pais, irmãos, amigos queridos e nos isolamos para tentarmos sobreviver e nem é ainda certo que isso acontecerá. A cada noticia surgida na TV sobre a pandemia, me deixa um pouco mais distante do futuro e mais perto das incertezas.

Assim como eu, todos nós queremos em breve olhar de nossas janelas e reviver os bons tempos das crianças jogando bola na rua, as pessoas andando apressadas rumo aos seus compromissos, rodas de bate-papo, o churrasquinho da esquina lotado, o cheiro de café da padaria e até ouvir as sirenes das fábricas. Queremos um novo amanhecer, onde renovados de espírito e força, possamos nos juntar e reconstruir nossas estruturas, nossos esteios familiares, nossas casas.

Desta janela, ao olhar o horizonte, só vejo o escuro da noite se confundindo com o negro do céu onde apenas 3 estrelas teimam em cintilar. A brisa fria cessou e agora só há o tempo, estático e perturbador. Nenhuma folha se mexe, nada se movimenta. Volto para dentro de mim e penso nos que neste momento lutam pela vida, pelos que perderam seus entes queridos, pelos que ainda vão perde-los, pelos que lutam com a ansiedade, os que no seu isolamento estão sós, longe de quem gostam.

Mas penso também que fomos feitos e dotados de uma força incomensurável, que nossas vidas sempre foram feitas de lutas e glórias. Que sempre renascemos das adversidades. E vai ser assim de novo. Uma nova manhã se aproxima, juntaremos nossos pedaços caídos pelo chão da sala, do quarto e nos reergueremos melhores, mais sábios, mais amigos, mais solidários, mais gente. Nessa manhã, quero estar nesta mesma janela e assistir sorridente e com um suspiro forte, o revoar dos pássaros, o barulho ensurdecedor da cidade, a correria dos transeuntes, a buzina dos carros, a vida passeando de novo. Acreditemos nessa manhã.

Olhe a janela.

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O que você precisa saber sobre Coronavírus?

por Felipe Arthur Faustino de Medeiros
Residente de Infectologia
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Saindo um pouco dos temas relacionados à saúde LGBT diretamente, trazemos hoje um papo mais direito sobre Coronavírus, esse vírus respiratório que iniciou sua aparição no final de 2019, com grandes notícias nos últimos dias, trazendo muitas informações, muito questionamentos para várias pessoas e várias dúvidas. Tentarei aqui tirar algumas breves, trazendo em tópicos pra facilitar o entendimento de todos.

O que é o Coronavírus (também chamado de COVID-19)?

Coronavírus é um vírus que causa doença no trato respiratório das pessoas (doença nas vias áreas – garganta, nariz, seios da face, traqueia e pulmões). Acredita-se que o vírus tenha vindo inicialmente dos morcegos, e hoje sua transmissão seja pessoa-a-pessoa atrás das secreções do trato respiratório (saliva e tosse, por exemplo).

Quais os sintomas que podem ser observados em quem tem Coronavírus?

As manifestações são semelhantes às de uma gripe, como febre, coriza, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, dor pelo corpo todo, dor muscular, falta de vontade de realizar as atividades diárias, ou até sintomas mais graves como falta de ar intensa, dificuldade de respirar, sonolência extrema e quedas de pressão importantes.

E como eu pego Coronavírus? Tem como evitar?

A transmissão da infecção por COVID-19 se da por contato com secreções respiratórias, como já dito, entre pessoas infectadas e não infectadas. Secreções essas as das vias respiratórias, ou seja, saliva e secreção que vem dos pulmões ao tossir ou escorrer do nariz.

Para evitar o contágio, pessoas sintomáticas respiratórias devem ficar afastadas do convívio social, tendo seu isolamento domiciliar. Em caso de necessidade de acessar locais públicos, a mesma deve utilizar máscara cirúrgica (aquela simples mesmo) para proteger os demais do contato com suas secreções. Além disso, é importante que TODAS AS PESSOAS utilizem álcool gel ou lavem as mãos com água e sabão ao ter contato com superfícies que possam ter secreções (corrimão de escada, apoios no transporte público, após tossir ou espirrar etc). É importante lembrar que o vírus pode ficar em superfícies algumas horas até morrer, por isso sempre que tiver contato com alguma superfície lave sua mão imediatamente, e não leve ela até boca, nariz ou olhos, pois esse locais são porta de entrada para o vírus entrar no seu corpo e disseminar a doença.

Eu devo procurar atendimento médico então em caso de algum desses sintomas?

Casos leves, semelhantes à gripe, sem repercussões de sintomas graves, devem se manter em casa atualmente, se afastando das atividades diárias, dos contatos com outras pessoas, tomar bastante líquido e em caso de dor ou febre, utilizar analgésicos para dores e febre e aguardar os sintomas melhorarem, que cessam em até 15 dias. Em casos mais graves, com febre que não melhora, falta de ar intensa ou quedas de pressão importante, você deve procurar imediatamente o pronto socorro mais próximo da sua residência para atendimento e orientações.

Quem são as pessoas que tem mais risco de ter doença grave?

Alguns grupos são considerados “grupos de risco” para doença grave, sendo eles pessoas idosas, pessoas que tem hipertensão (pressão alta), diabetes, pessoas que tomam medicações imunossupressoras

E o que devemos fazer nesse momento para evitar uma piora da nossa situação de Pandemia?

Se você pode, FIQUE EM CASA! Quarentena é uma realidade, precisamos parar a disseminação do vírus, ou ao menos diminuir a velocidade com que ele se espalha.

No último dia 11 de março, a Organização Mundial de Saúde declarou pandemia para Coronavírus, alertando os países dos riscos associados à infecção, além de orientações na tentativa de barrar o avanço do número de casos. Seguir essas orientações ajudam a diminuir o número de casos a cada minuto, tentando minimizar a necessidade de internação e suporte intensivo para o tratamento do COVID-19, não sobrecarregando o sistema de saúde de uma só vez.

Além das medidas já citadas de caráter pessoal, como lavar as mãos e uso de máscara aos que tem sintomas, a quarentena é uma atitude que ajudará bastante a diminuir a disseminação dessa doença de transmissão respiratória. Por isso, eu reforço: se você pode trabalhar de casa, se sua empresa vai parar as atividades, sua escola ou faculdade não terá aulas, fique em casa. Maratone sua série, veja filmes, ouça música, medite, leia, porém não saia de casa se você pode. Nós profissionais de saúde estamos trabalhando para manter o atendimento aos que precisam, por isso não se exponham à riscos desnecessários e nos ajude a controlar a disseminação.

Muitas notícias estão sendo veiculadas todos os dias, e grande parte delas são fake News. Ainda não temos uma medicação ou tratamento que se mostre plenamente efetivo no combate ao Coronavírus, muito menos medicações para prevenir seu contágio. Não utilizem medicações sem prescrição médica. Não sabemos até quando teremos que ficar em isolamento social, quarentena, desviando nossas rotinas, porém pensemos nisso como uma atitude coletiva para segurar o Coronavírus e que logo tudo isso seja uma grande memória de vitória coletiva para todos.

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Prevenção Combinada: o Melhor dos Remédios

por Felipe Arthur Faustino de Medeiros
Residente de Infectologia
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Fevereiro no fim, levando com ele a grande festa brasileira: o Carnaval. Depois de muitos embalos e folias por todos os cantos do país, temos um grande momento para falar sobre prevenção para aquisição de HIV e outros IST. E aí, você que está lendo pode estar se perguntando: mas prevenção não vem antes? Pois é nesse contexto que entra esse texto trazendo algumas informações bem importantes sobre como se prevenir antes, durante e depois do sexo.

O conceito de prevenção combinada, voltada ao combate ao HIV e situações associadas a infecção, traz consigo ações biomédicas como por exemplo, o uso de PrEP, da PEP e o tratamento de todas as pessoas que convivem com HIV visando uma carga viral indetectável), ações comportamentais (como a testagem regular para HIV e outras IST e Hepatites Virais) e também intervenções estruturais, as quais são voltadas para abordagens com políticas públicas, aspectos socioculturais e econômicos, visando a garantia da abordagem do tema e garantir meios para que a mesma ocorra.

Abordarei nesse texto apenas partes do grande conceito da prevenção combinada, tentando trazer dois aspectos que julgo importantes nesse momento, pensando que a exposição já aconteceu. E ela pode ocorrer de diversas formas: o preservativo estourou, não se usou preservativo na relação de penetração, ou teve contato com sêmen na boca no sexo oral, compartilhou seringas no uso de substancias injetáveis etc. São várias maneiras de entrar em contato, mas o que não cabe em nenhum momento é o julgamento de certo ou errado nas atitudes tidas por você ou por outra pessoa durante o sexo, e sim o esclarecimento e busca por auxilio.

Se você se expos numa relação sexual, com contato com fluidos corporais, sem uso de proteção ou método de barreira, sem saber o status sorológico da mesma ou mesmo sem saber seu próprio, é hora de buscar um local para realizar a testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

A testagem em centros de testagens e aconselhamento (CTA) é gratuita e disponível para todos que quiserem a mesma. Normalmente são realizados testes para HIV, Sífilis, Hepatite B e Hepatite C, sendo os mesmos na forma de testes rápidos, e em menos de uma hora a pessoa pode sair com todos esses resultados em mãos, acompanhados de aconselhamento por um profissional e saúde capacitado, além de encaminhamentos em caso de necessidade de acompanhamento e tratamento para as mesmas.

É sempre bom lembrar que se a exposição ocorreu hoje ou ontem, o teste que você faz pode não vir positivo. Temos que lembrar que as doenças tem suas janelas imunológicas, tempo em que o sistema imune demora para detecta-la e produzir anticorpos contra a mesma, mostrando assim a positividade nos testes. Por isso, a testagem regular é uma grande ferramenta de prevenção e pode ser realizada sempre que a pessoa se expor à uma situação em que julgue de risco de adquirir IST.

Pensando no agora, estourou a camisinha, eu não conheço ele/ela, o que eu faço? Os CTAs também são porta de entrada para a realizar de PEP (profilaxia pós-exposição), que consiste num método biomédico para a prevenção da aquisição do vírus do HIV. Após a exposição, você tem até 72hrs para buscar atendimento e iniciar a terapia antirretroviral para a profilaxia pós exposição.  Nesse método, a pessoa exposta tomará 28 dias de medicação para impedir que vírus entre em seu sistema e cause a infecção propriamente dita. Além da medicação, o acompanhamento será realizado de forma continuada e não apenas pontual, pois como dito anteriormente, a medicação serve para a prevenção apenas do HIV, e não das demais IST.

Temos que entender que a melhor forma de se prevenir é conversar sobre, se esclarecendo das formas de contágio das infecções, realizar testagem regular, procurar o auxílio no local correto, usar preservativos, usar PrEP, tratar o HIV e se manter indetectável que vão fazer com que consigamos reduzir os números de novas infecções e mortes por HIV e outras IST. As festas e os fervos continuam e devem continuar, o prazer nas relações importa e muito, e aliando o conhecimento de técnicas de prevenção tudo fica ainda melhor para todos.

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UM ESTADO QUASE LAICO E A PANDEMIA

por Artemis Zamis

Desde que este governo foi instalado em 1º de janeiro de 2019, que o Brasil vem sendo varrido por uma ideologia ultra conservadora neopentecostal, que em certos momentos, administradas em doses homeopáticas, em outros em dosagens acima do limite, vem causando distúrbios, polarizações cada vez maiores e conflitos ideológicos no nosso tão sonhado estado laico. Os ditos neopentecostais acharam em Jair Bolsonaro a válvula que faltava para que seus interesses fossem atendidos e por isso lhes deram, e ainda dão, apoio incondicional, sem até mesmo se importarem com suas bandeiras nada democráticas, tais como a misoginia, o racismo, a homofobia, a violência, o espirito de matador, entre outras qualificações nada relacionadas com o verdadeiro espírito cristão. Mas, e quem está mesmo preocupado com o verdadeiro espírito cristão? Quem acompanha as declarações de pastores neopentecostais nas redes sociais e do presidente, vai entender que o que menos importa hoje é o cristianismo em si. Nada se fala da doutrina cristã e nada se fala da figura de Jesus que pregava a humildade e a ajuda aos mais necessitados. Vivemos um estado “burrocrático” no país. Quando o presidente vai as redes sociais e a TV e declara que o estado é laico mas ele é terrivelmente cristão, demonstra sua total ignorância do assunto e prega na verdade uma vontade de implantar no país uma utópica teocracia ultra conservadora que ele mesmo sabe que nunca irá acontecer, mas que o faz por ser um fanfarrão assumido.

O fato é que os neopentecostais não estão muito para a brincadeira. Ao contrário, estão levando muito a sério a posição que nunca alcançaram na história da república e não estão dispostos em hipótese alguma de abdicar ou até mesmo de sequer abandonarem por um instante as posições que assumiram no establishment. Sua bancada na câmara e no congresso é atuante e agressiva no que diz respeito a defender os seus interesses.

Em todo esse imbróglio governamental, a triste constatação é que eles não trouxeram nenhum programa de governo de qualquer espécie, para qualquer setor, a não ser os de interesse puramente corporativos como fim de impostos, ideologia de gênero, proibição ao aborto, entre outras questões morais. Mas seu protagonismo está patente e latente a cada dia que passa e por onde passam. Nos corredores sombrios do planalto, circulam em quantidade tamanha que ofuscam os que de fato praticam política. A história nos mostra que onde existiu, ou existe, o fundamentalismo religioso, sempre está junto dele o retrocesso, atrocidades e autoritarismo.

A constituição nos coloca como um estado laico e assim deve ser. Toda e qualquer religião deve ser respeitada independente de sua doutrina ou de seus dogmas, exceto os charlatões que precisam ser denunciados, processados e julgados na forma da lei. O que não se pode admitir é que usurpem o poder da república e de lá determinem o que nós o povo, que tem suas várias religiões e crenças ou até mesmo nenhuma, a aceitarem suas doutrinas e regras fundamentalistas.

A pandemia que o mundo enfrenta, nos afeta de forma severa e nem estamos ainda no seu pico total que deve acontecer neste mês de abril e maio. O governo alheio as recomendações da OMS e de autoridades de saúde do seu próprio governo, ignora as recomendações expressas de isolamento social e como temos visto em suas andanças, promove aglomerações e debocha da pandemia com mensagens de efeito. Como se não bastasse, declarou em uma entrevista ao apoiador Ratinho que as igrejas são serviços essenciais e que deveriam continuar com seus cultos sem restrições. Com isso ele atende as várias reclamações de lideres neopentecostais que denominam a pandemia como um vírus maligno. Como vemos, a religião já está na república, agora mais influente e mais atuante, inclusive pautando nossos costumes e nosso cotidiano.

Quando há a inconstitucional mistura entre igreja e estado laico, podem ocorrer espetáculos grotescos e constrangedores como o jejum nacional endossado pelo presidente nesta semana, que fracassou como já era esperado. Confunde-se o Brasil com o Israel bíblico. Não somos esse Israel bíblico, nem adeptos de um único pensamento teológico. Somos livres para pensar, agir e viver no regime democrático que elegemos.

Devemos exigir do governo um tratamento sério, técnico e responsável da maior pandemia deste século. Não é hora de conjecturas, ideologias, religiosidades, ofensas, picuinhas internas. Nosso inimigo agora é o vírus e é ele que devemos combater. Lideres religiosos tem toda liberdade de opinarem e professarem suas religiões, mas sem se apoderarem e se aboletarem no estado para pautar comportamentos e conceitos morais de quem quer que seja.

Nem nós, nem o mundo será o mesmo depois dessa pandemia.  

É prudente que pensemos desde já o que podemos querer do amanhã.

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UMA BREVE ANÁLISE DO GOLPE DE 64

por Jacqueline Vallejo

Infelizmente vivemos um momento político em nosso país muito sério, onde o presidente da República tem como herói brasileiro nada menos que Carlos Brilhante Ustra é um “herói brasileiro”, um dos mais terríveis torturadores no período da ditadura militar (1964-1985).  Apoiado na mentira política moderna, que ataca a verdade factual, usa como estratégia o negacionismo, Bolsonaro e sua equipe, tendo como guru Olavo de Carvalho, pretendem reescrever a história, e reduzir a ciência em mera opinião.

Assim sendo, recorremos a uma análise da história brasileira, desse período tão conturbado e que de alguma forma ainda vive no imaginário da população, nas lembranças, nas dores, nas perdas, em movimentos, na luta. Nada deve mudar a verdade factual no mundo, a história é nosso registro e manteremos seu caráter inflexível, não deixaremos apagar ou criar mentiras a seu respeito.

Nos anos sessenta a industrialização restringida estava cedendo o lugar à industrialização pesada, implicando um novo padrão de acumulação. O modelo de desenvolvimento emergente supunha um crescimento acelerado de capacidade produtiva, penalizando fortemente as camadas trabalhadoras e permitindo um novo arranjo entre o Estado, o capital privado nacional e o capital estrangeiro. Esta expansão acarretou uma desaceleração do crescimento, alta inflação e queda na taxa de inversões.

Nas condições brasileiras de então, as requisições contra a exploração imperialista, acrescidas das reivindicações de participação popular, apontavam para uma ampla reestruturação do padrão do desenvolvimento econômico e uma democratização da sociedade e do Estado. As lutas sociais, um novo bloco de forças político-sociais, poderiam desembocar num quadro revolucionário. A consequência seria a reversão completa daquela particularidade da formação social brasileira, resultando numa perspectiva de revolução social. A sociedade brasileira se defrontava com um tensionamento crescente. A classe dominante consciente dessa evolução, e sintonizada com a contrarrevolução preventiva em escala mundial, impôs com a força o golpe, derrotando as forças democráticas, nacionais e populares. O movimento cívico-militar de abril foi reacionário, resgatou precisamente as piores tradições da sociedade brasileira. Seu real significado foi à destruição da possibilidade de superar a dependência e as amarras da economia brasileira aos interesses imperialistas e de democratizar fundamentalmente a sociedade brasileira.

A economia política da ditadura apresentava três traços marcantes. O primeiro foi o planejamento econômico estatal, que se transformou em poderosa força produtiva. O aparelho estatal, a serviço do capital monopolista, foi desenvolvido, aperfeiçoado ou “modernizado”, tendo as esferas da vida social controladas para garantir a segurança para o desenvolvimento do capital. Todo o peso do poder estatal foi colocado ao dispor do capital financeiro. O Estado mobilizou recursos políticos e organizacionais, científicos e técnicos para favorecer, orientar, reorientar, dinamizar ou diversificar as atividades produtivas. Com políticas de isenções de impostos, incentivos fiscais, de créditos, avais e outras, o Estado favoreceu enormemente a concentração e centralização do capital, usando também recursos do fundo público para a acumulação do capital monopolista. Com o Sistema Federal de Planejamento, todas as forças produtivas, e relações de produção, foram desenvolvidas, conseguindo assim arrancar uma taxa extraordinária de mais-valia da classe operária.

O segundo, Violência Estatal, técnica/política/economicamente, se transformou em poderosa força produtiva a serviço do capital, controlando a classe operária, favorecendo juntamente com o primeiro traço a extração de uma taxa extraordinária de mais-valia. Assim o Sistema Federal de Repressão entrou no processo de acumulação do capital, garantindo e reforçando a subordinação econômica e política dos trabalhadores. A violência política era mais visível, mas não era a única, presente também nos locais de trabalhos e em todas as esferas da vida social. A violência Estatal passa a ser uma potência econômica.

O terceiro e último traço foi o Capital Financeiro, que passou a designar a expressão e ações do Estado, sob a ótica monopolista. O aparelho Estatal serviu a grande burguesia financeira, agindo em pró do desenvolvimento do capital financeiro e monopolista. O desenvolvimento do planejamento e da violência estatal, vistos como forças produtivas, foram condição e produto do crescimento do capital financeiro. Sob condições monopolistas, os três setores produtivos do tripé foram largamente articulados pelo capital financeiro, tendo na maioria dos arranjos o predomínio do capital imperialista, que passou a determinar todas as relações sociais.

O período da ditadura empresarial-militar foi tenebroso, e podemos analisar como o grande capital opera de forma sempre a se expandir e manter a sua hegemonia, não levando em conta as vidas de milhões de pessoas que são irremediavelmente afetadas com seus acordos e arranjos sempre visando privilegiar a classe dominante em detrimento da classe subalterna. Nota-se que foi disseminado um ódio ao comunismo entre a população, vista até hoje, e que Jango não tinha nenhuma pretensão de instaurar um sistema comunista no país, mas ainda assim essa alegação vingou nos meios de comunicação e permeia nos pensamentos de algumas pessoas que viveram essa época. Ainda hoje vivemos sem uma emancipação política completa, já que nos é imposto o voto, mas não o direito ao amplo conhecimento do que envolve seu ato de votar e como isso tem impacto no nosso cotidiano.

O golpe de 64 foi uma vitória para o capitalismo no Brasil e uma derrota para democracia, e em especial para a classe trabalhadora, e o reflexo dessa vitória ainda é sentida e revivida com amargor no discurso do vice-presidente Mourão, que vem nos assombrar diante do quadro político que se apresenta.

Fica claro que quando a classe dominante se sente ameaçada pela classe subalterna, ela não mede esforços para manter sua hegemonia e é capaz dos atos mais bárbaros para isso.

Lutemos para que não tenhamos que enfrentar esse terror novamente.

porFBD

O BRASIL, O MUNDO E NÓS

por Artemis Zamis

O mundo de joelhos diante da maior pandemia já vista depois da gripe espanhola de 1918, entidades renomadas de saúde buscando freneticamente uma possível cura ou uma vacina capaz de evitar a catástrofe que pode ser ainda maior que a peste negra e a gripe espanhola, autoridades e chefes de estado tomando medidas severas para conter a propagação do vírus e consequentemente minorar o atendimento hospitalar para os que a todo instante chegam infectados, e o nosso presidente Bolsonaro sapateando, tripudiando e debochando do povo, da pandemia e da vida de todos nós.

Na Alemanha a Primeira Ministra Ângela Merkel decreta o distanciamento social, identificação precoce de casos, proteção aos trabalhadores e organização do sistema de saúde para receber pacientes, entre outras medidas, para conter a pandemia e está entre os países com menos casos até o presente momento.

Bolsonaro tenta decretar o fim do isolamento e faz campanha pra que as pessoas voltem a trabalhar.

O Americano Donald Trump, Giuseppe Conte da Itália, Lopes Obrador do México e Vladimir Putin da Rússia, voltaram atrás e decretaram isolamento social e fechamento ou restrições de seus espaços aéreo.

No Brasil, Bolsonaro fala em entrevista que “O vírus tá aí, sabe que muitas pessoas vão morrer infectadas, mas que todo mundo um dia vai morrer mesmo…”.

Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi decreta o maior confinamento de pessoas da história, ordenando para que todos fiquem em casa por 21 dias, podendo ser prorrogado caso necessário. A Índia é o segundo país mais populoso, com 1,3 bilhão de habitantes.

Por aqui, Bolsonaro, sai as ruas em um passeio matinal, cumprimentando pessoas, contando histórias nos botecos, farmácias em meio a aglomerações, proibidas pela OMS e incentivando acintosamente para que as pessoas voltem ao trabalho pelo bem da economia do país.

A Itália tem até hoje, 100 mil casos, com 11 mil mortes pelo Covid-19 e os enterros são feitos em comboios de caminhões do exercito com as famílias totalmente distantes de seus entes queridos sem poder lhes dar um último adeus.

Aqui, o presidente sustenta enfaticamente que a volta ao trabalho é essencial para que as pessoas não percam seus empregos e que um homem dentro de casa sem prover os alimentos, vai provocar brigas no casal e isso tem contribuído para que as mulheres estejam apanhando de seus maridos.

Amigos, expus alguns desses horrores acima, para que façamos uma reflexão do que realmente precisamos e queremos para o nosso país. Não é nenhum pouco razoável que ouçamos tantas bizarrices de um presidente e seus asseclas e fiquemos inertes, petrificados como estátuas. Nosso presidente é alheio a qualquer enfrentamento com o contraditório e com quem pensa diferente. Isso se explica pelo seu raso conhecimento em qualquer assunto, por mais elementar que seja, seu intelecto pequeno e virtudes nada pertinentes ao importante cargo que ocupa.

Seu comportamento é bizarro. É vergonhoso como o mundo o percebe. Importantes jornais do mundo todo o tratam como um negacionista irresponsável que compromete a vida das pessoas e um país inteiro.

A BBC, neste domingo, publicou artigo onde afirma que Bolsonaro insiste em não levar a pandemia a sério, insistindo em seu negacionismo.

A “The Economist”, uma das mais importantes revistas do mundo, chamou o presidente do Brasil de “BolsoNero” – o ultimo imperador romano, tido como um tirano extravagante que, segundo a história, iniciou um incêndio para construir um palácio.

Algo real, rápido e eficaz terá que ser feito, para que tenhamos preservada nossas vidas e de nossos familiares. Não é por politica ou ideologia, não é por economia, não é por cultura, não é por religião. É pela vida.  Precisamos de atitude para que seja defenestrado de seu cargo e que seja posto em seu lugar aquele que constitucionalmente deverá ocupa-lo. A democracia dirá se fica ou não. Mas por agora está definitivamente provado que este que por hora ocupa o executivo não está a altura do cargo. Urge que as instituições o detenham, pelo bem do país e pelo bem estar de todos.

Vivemos uma dicotomia, onde de um lado está fincado o ódio cujas raízes crescem em uma velocidade assustadora, comprometendo o que sempre tivemos de melhor que são nossa alegria, nossas amizades, nosso prazer na vida e de nossa solidariedade.                

O Brasil está em nossas mãos.

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O DISCURSO CRIMINOSO DO PRESIDENTE

por Artemis Zamis

O Brasil e o mundo assistiram ontem pela TV, o mais nefasto, inescrupuloso e insano discurso que um presidente eleito democraticamente possa ter feito a seu povo, em meio a uma das mais duras pandemias já vistas no mundo moderno provocada pelo Covid-19. Na contra mão do que recomendam a OMS e todas as autoridades de saúde, inclusive de sua própria equipe, que enfaticamente determinaram que as pessoas sejam isoladas em suas casas, que o comercio seja fechado, que o sistema de transporte funcione apenas no que é essencial, vai o presidente a TV pedir que o país volte a sua normalidade, que as pessoas saiam de suas casas e voltem ao trabalho, que as crianças voltem as escolas. O mundo inteiro enfrenta a pandemia com medidas sérias e impactantes. Governos decretam o isolamento social a seus povos, impõem medidas restritivas ao comercio em geral e trabalham duro para conter a disseminação do vírus, enquanto o nosso governante chama a pandemia de gripezinha. Na Itália morrem por dia mais de 700 pessoas, na Espanha o vírus matou 738 pessoas nas ultimas 24 horas, só para citar 2 países. No mundo já são 375 mil casos contabilizados até este momento.

É a vida das pessoas que está em jogo. A Economia sofrerá com certeza grandes impactos não só no Brasil mais em todo o mundo e é obrigação dos governos com suas equipes econômicas, encontrarem as soluções. Mas a vida das pessoas está em primeiro lugar e um governo, seja ele de qualquer corrente ideológica, não pode optar por salvar a economia do seu país sacrificando vidas. O Art 5º da Constituição Federal, antes de elencar todos os direitos individuais do cidadão brasileiro, ressalta: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, à segurança e à propriedade…”

Foi insano e irresponsável o pronunciamento do presidente. Falou como um chefe de Orcrim e lembrou os maiores líderes nefastos do mundo com uma pregação genocida e logico, enlouquecida. Em lugar de promover o entendimento e a calma, levou pânico e beligerância a quem em confinamento já se encontra com a mente em polvorosa. Se portou e se porta o presidente, como um desequilibrado que não tem o domínio das palavras e não se importa com os efeitos que as mesmas podem causar a população em geral e ao mundo. Individualista, deixa de dar importância ao que pensam as maiores autoridades de saúde do Brasil e do mundo, no caso a Organização Mundial de Saúde. É a vida que tem que ser protegida custe o que custar. Pela ordem da natureza, das Leis e do entendimento mundial, é a vida que tem que se sobrepor a economia e não o contrário.

Como se não bastasse o pronunciamento criminoso, o presidente criou um clima de total beligerância com os governos de São Paulo e Rio de Janeiro e agora de Goiás que era seu aliado, para defender inconteste, suas convicções equivocadas e exclusivistas sobre como conduzir a atual crise, ignorando por completo as orientações das autoridades brasileiras e mundiais. Como entender que em uma crise de saúde mundial tão profunda, onde pessoas estão sendo dizimadas, parentes não estão nem podendo enterrar seus entes queridos, pessoas deixando seus lares para morrerem nos hospitais, idosos preocupados com o bem estar deles de seus filhos e netos, filhos preocupados com seus pais e avós, todos preocupados como sobreviver amanhã e lamentavelmente liga sua TV e vê o seu presidente desprezar o seu povo, humilhando-os sem lhes dar a mínima importância a sua saúde e a sua vida.      

A crise de saúde que ora passamos dispensa ideologias e partidarismos. Dispensa afrontas, distopias e humilhações. Dispensa mais veementemente a ignorância e crueldade de um presidente que foi eleito para governar não para um grupo, mas para todos os brasileiros. A polarização é dispensável em um momento difícil como este, para que se dê a crise a atenção devida em beneficio da vida e não de setores da sociedade.

O pronunciamento do presidente ontem fez surgir a sua verdadeira personalidade. E foi assustador ver que temos no poder uma pessoa incontrolável e perigosa. Demonstrou categoricamente que não está à altura do cargo e que não reúne as mínimas condições de exerce-lo. Não sei que rumo será dado ao país, mas como cidadão e pelo bem do país e de seu povo, há de se cobrar das autoridades constituídas uma reformulação urgente do poder executivo. O impeachment é traumático e demorado no meu entender e o país ficará a sangrar até o desfecho incerto desse processo. O cancelamento da chapa Bolsonaro/Mourão pelo TSE, parece ser o melhor e menos traumático caminho, com convocação imediata de novas eleições. Elementos e provas não faltam. Falta sim que o TSE seja provocado e depois cobrado pela população por um julgamento justo.

O mundo inteiro e autoridades da saúde voltam hoje a alertar os líderes sobre a necessidade do isolamento social e pede união de seus líderes.

Unamo-nos pelo país e mais pela vida. Unamo-nos pelas nossas famílias e nosso bem estar de agora e de nosso futuro.            

A vida pede que fiquem em casa.

porFBD

NEOLIBERALISMO E A CRISE DO CORONAVÍRUS

por Jacqueline Vallejo

Neste momento, a nível mundial, nos encontramos no olho do furacão da pandemia de Covid-19, muitas especulações começam a aparecer a respeito do vírus, ora se lê que seja na realidade uma guerra biológica (fabricado em laboratório), ora uma evolução/mutação que pode ter sido transmitido por morcegos e passado de forma natural para o corpo humano e nele se tornado infeccioso e altamente transmissível. A origem desse vírus acredito que só a história irá contar. Mas podemos já iniciar nossas análises sobre o rearranjo a nível geopolítico que essa pandemia está sinalizando, e os impactos dessas mudanças.

Recorremos a história para entendermos nosso momento atual, como chegamos a essa derrocada econômica, e o desespero frente a pandemia que confronta o capitalismo na sua fase neoliberal.

Iniciamos com a ofensiva burguesa dos anos 80 e 90 e seu aprofundamento nos últimos anos, que nos aponta suas três direções centrais: a reestruturação produtiva, a mundialização do capital, e a contrarreforma neoliberal.

O neoliberalismo, a partir do final dos anos 70, assumiu governos com a programática conservadora, regressiva, resgatando ideias liberais. Tratou-se de uma contrarreforma tendo em mente que o Welfare State tinha “perigosos efeitos” como: desmotivação dos trabalhadores, concorrência desleal, baixa produtividade, burocratização, etc. Foi a busca de rentabilidade e mundialização tendo como orientações/condições a atratividade, adaptação, flexibilidade e competitividade.

A atratividade, como uma das funções econômicas do Estado, requereu novas relações com grupos mundiais, tornando ainda mais subordinado a eles. Com medidas como: cobrir custo de algumas infraestruturas, aplicar incentivos fiscais, garantir escoamentos e institucionalizar liberações, desregulamentações e flexibilidades no âmbito das relações de trabalho, o Estado garantindo toda uma estrutura a título de competitividade. Vale destacar também os processos de privatização, reduzindo as dimensões do setor público.

A mundialização, com tendência antidemocrática, necessita de um Estado forte e enxuto. O Estado-Nação por sua vez, pressiona político-economicamente os Estados nacionais com o capital financeiro e o papel das dívidas públicas. Mas esse modelo não é universalizante, difere entre os blocos centrais e periféricos dos países capitalistas. O primeiro não abrindo mão de sua soberania, enquanto o segundo sendo reorientado a retornar a sua “vocação natural” de exportação e desindustrialização (O Agro é Tech, o Agro é Pop, o Agro é tudo). Medidas como: conter o mercado interno, bloquear o crescimento dos salários e direitos sociais, aumentar as taxas de juros, diminuir os empregos formais decorrentes de fechamento ou enxugamento de empresas; dificultam o desempenho do Estado de regulamentação interna e impedem o avanço da democracia. Como podemos exemplificar com as medidas do PAC do fim do mundo.

E nesse ambiente de adaptação as novas condições da economia mundial, indicado pelo Banco Mundial e o FMI, cresce o pauperismo. A estratégia de enfrentamento da pobreza é orientada para os fundos sociais de emergência, com programas compensatórios, e incentivando a mobilização da “solidariedade” individual e voluntária, uma forma “cristã” de desresponsabilização do Estado frente a questão social.

Para garantir o consentimento e a legalização, o neoliberalismo lança mão do pensamento único, conjunto sistemático de ideias e medidas difundidas pelos meios de comunicação. A hegemonia do grande capital envolve as mudanças no mundo do trabalho, redefinindo o mercado. Com suporte ideológico chegamos ao limite do fetiche das mercadorias, transformando relações entre homens em relações entre coisas, ocultando a dominação e exploração entre indivíduos, grupos e classes sociais.

A existência de uma cultura da crise, que através da disputa ideológica legitima a contrarreforma do Estado e das políticas regressivas neoliberais, tem nas classes dominantes os difusores do pensamento privatista, meritocrático e a constituição do cidadão-consumidor, assegurando à adesão as transformações do mundo do trabalho e dos mercados, incentivando o empreendedorismo e os trabalhos informais (primeiros a padecer na crise, sem renda e sem proteção), já que as vagas de trabalho formal tendem a diminuir. Há o convencimento que existe apenas um caminho a trilhar, onde todos devem integrar e se adaptar. Para os não integrados, políticas de combate à pobreza, redes de proteção social, e se não adiantar, tem a polícia, política de “segurança”.

Os esforços estão voltados para os novos objetos de consenso, como a desqualificação teórica, política e histórica de alternativas progressistas e a negação de mecanismos de controle sobre o movimento do capital, em favor da regulação do mercado, aquele que tem uma mão invisível. Neste ponto, podemos verificar o resultado das últimas eleições no Brasil e nos EUA.

A interpretação e difusão da crise como ideologia vista como verdade e princípio orientador, são empreendidos pela extrema-direita, possuindo caráter conservador e alterando hábitos e consciências dos homens. O papel despótico da informação manipulada, transmitida para a maioria da humanidade, que não esclarece e sim confunde. A publicidade que forja necessidades, o consumo, os costumes, todos padronizados, homogeneizados e uniformizados, uma cultura de dominação que fortalece a “necessária adaptação”.

A lógica do Estado neoliberal, que em parceria com o capital privado, busca o consenso na sociedade civil, precariza o público, tornando impraticável o acesso, com o discurso falacioso que o Estado não tem competência, nem recursos financeiros para administrar os serviços, e que o que é público é de péssima qualidade, que necessário se faz privatizar para um bom atendimento. É a busca de novos horizontes de lucros para o capital monopolista. Quando a mídia noticia casos de escassez de material, ou falta de pagamento de funcionários públicos e terceirizados, o que querem apontar? Que precisamos diminuir o “gasto público”, precisamos fazer parcerias ou mesmo privatizar. E podemos ver isso na Educação, Saúde, Previdência, Sistema Penitenciário, etc… São grandes conglomerados que tomaram conta de tudo que a classe trabalhadora conquistou com lutas e que nos estão sendo tirados, nossos direitos subtraídos.

As facetas dessa contrarreforma econômica, intelectual e moral, que muito amparada com a mídia transforma a sociedade civil num palco de preconceitos, intolerâncias e barbárie, consolida a hegemonia de uma classe que dita às normas de comportamentos, desejos e até mesmo dos sonhos, somos teleguiados a consumir, a competir e a nos individualizar, eliminando toda e qualquer forma de compaixão e de sociabilidade. Sistema perverso que desumaniza frente a uma “questão social” maximizada, frente ao crescimento da pauperização absoluta e relativa.

E diante de todo esse panorama cultural, econômico e político, hoje, temos um presidente da República que diante de uma pandemia que já matou milhares no mundo, se apresenta ao povo com um discurso medíocre, genocida, sem embasamento científico nenhum, menosprezando todas as recomendações e atenções da OMS, pedindo a reabertura do comércio e das escolas e o fim do “confinamento em massa”. Nos faz crer que vivemos aqui no Brasil a Era da Ignorância, do reducionismo dos fatos, das opiniões, onde tudo é possível. E também da maldade, colocando em risco uma população em pró da economia. Essa economia neoliberal que se retroalimenta das crises e que se mostra totalmente frágil e inoperante diante de um vírus, pois com sua ganância, nega todos os recursos físicos e monetários, que seriam necessários para atravessarmos esse momento tão perigoso, que requer estrutura de saúde pública e responsabilidade do Estado em fornecer condições de vida aos seus cidadãos.

Após a passagem do coronavírus pelo mundo, nada ficará como antes e será o momento de grandes mudanças, o capitalismo não irá suportar a recessão, tanto tempo estagnado e sem lucros, e provavelmente o sistema terá que ser superado. Novas potências surgirão, revoluções serão necessárias e poderemos viver um pós-capitalismo, com viés socialista, onde reergueremos com muito trabalho, nossa dignidade, nossa humanidade, respeitando e valorizando o saber, o meio-ambiente, e a saúde física e mental.

Ter esperança por dias melhores ajuda a nos manter sãos, mas por hora, é FORA BOLSONARO para nos mantermos vivos.

porFBD

PAREM O PRESIDENTE

por Artemis Zamis

O povo brasileiro na sua maioria, não deu muita sorte nestes últimos dois anos e em especial neste ano em curso, onde passamos por uma pandemia das mais graves já vistas no mundo. Conforme dados de hoje, 22 de março, temos 1.546 casos confirmados, e 25 mortes.  A falta de sorte maior ainda é termos que passar por isso com um governo também tido como um dos piores de todo o mundo, por sua incapacidade cognitiva, técnica e psicológica. A cada declaração é uma enxurrada de sandices, frases sem sentido e mentiras. Seu comportamento é psicótico, totalmente incomum e perigoso. Ele consegue ir na contra mão do que determina o seu próprio ministro da saúde, dos governadores que envidam todos os esforços para conter a proliferação do vírus e até das autoridades mundiais de saúde. Esse presidente precisa ser parado e já.

A interdição é crucial para a sobrevivência do estado, do nosso povo e da nossa democracia. “Mourão é a solução constitucional, com outro gabinete de salvação nacional, com todos os partidos, sem Guedes, Moro, Damares, Weintraub, Araujo. É a saída menos traumática, imediata enquanto durar essa crise humanitária gravíssima. Depois um acordo geral para eleições gerais” disse o Advogado Arnóbio Rocha em sua coluna de hoje.

 Não temos tempo para um processo de Impeachment pois o país não suporta, já que agoniza em quase todos os setores. Parem o presidente.

Enquanto o presidente não sai, medidas severas e necessárias estão sendo tomadas para conter a proliferação e dentre elas o isolamento social. Idosos com mais de 60 anos e portadores de doenças crônicas como diabetes e cardiopatias são os mais vulneráveis e precisam ser por nós protegidos. Neste momento, inverte-se nossa demonstração de amor que sentimos por nossos parentes com o doloroso distanciamento e a falta de um abraço.

O isolamento ao que tudo indica não será curto. Por isso, temos que nos cercar de todos os cuidados para não adoecermos mentalmente e passarmos ilesos por esse inimigo invisível que nos assola agora. Temos que procurar ocupar nossos pensamentos criando novas atividades, novas rotinas e um jeito novo de passar o dia. A internet será sem dúvida a maior aliada de todos, onde podemos criar novas amizades, novos grupos, abrir discussões sobre vários assuntos. Acho que com isto estaremos ajudando pessoas e ao mesmo tempo nos ajudando. Imaginemos que em algum lugar, em isolamento, estará alguém sozinha, um(a) idoso(a), um(a) adolescente precisando de ajuda. Estar só, no meio do caos, necessita sem sombra de dúvida de um enorme esforço mental para sobreviver a esses dias terríveis que ainda estão por vir. Nós, brasileiros, temos a sorte de termos o nosso DNA constituído de alegria, fé, esperança e a destreza de transformar o ruim em bom. O momento requer criatividade, amor, superação e lucidez.

Nossa cidadania, nosso dever de lutar por nós e nossos semelhantes, terá que ter seu momento registrado sempre em nosso dia a dia. Passaremos mais rápido por essa aflição, se as pessoas se conscientizarem que esse governo precisa ser interditado.

“Um governo é bom quando faz felizes os que sob ele vivem e atrai os que vivem longe.” Confúcio