Ted Lasso

Na Tela com a Lari.

Ted Lasso

Jason Sudeikis no paple do Carismático Ted Lasso.

Hoje vamos de Ted Lasso, sim até porque eu subestimei essa série e toda a vez que eu faço isso eu venho aqui e faço questão de me redimir, já fiz isso com Sex Education lembram? Sempre que eu entrava na Apple Tv eu ia nas séries que estou assinto, olhava para Ted Lasso e fazia cara feia, um dia eu procurando uma distração dessa pandemia, resolvi dar uma chance e não consegui desgrudar mais! Égua meu povo, que série maravilhosa! Uma série leve, despretensiosa, gostosa de assistir e com aquele humor britânico que vocês sabem que eu adoro, uma série perfeita para quem quer sair de tantas tristezas e desalento que estamos vivendo no mundo e principalmente no nosso país. Bom, vamos lá.

Imaginem a cena; um técnico de futebol americano, Ted Lasso, vivido pelo maravilhoso Jason Sudeikis, é convidado para dirigir um time em Londres que se chama AFC Richmond (nome fictício) que na série disputa a Premier League ( a liga inglesa de futebol, isso não é fictício) ele aceita o desafio e leva junto com ele seu amigo e fiel escudeiro – o Coach Beard, aqui interpretado pelo ótimo Brendan Hunt, eu dei altas gargalhadas com essa dupla. Só que eles não entendem nada de futebol e nada sobre as regras do campeonato, vou repetir ELES NÃO SABEM NADA SOBRE FUTEBOL! É isso mesmo que tu leste. Ted Lasso é alvo de chacota pela imprensa britânica e da torcida do time e ainda tem um plano sinistro da dona do clube, vivida pela atriz Hannah Waddingham que quer acabar com o time e se vingar de seu ex-marido, que vivia traindo ela e é torcedor fanático do time, logo ela quer destruir algo que ele ama.

Hannah Waddingham é uma atriz e cantora inglesa, e na série vive, dá vida a Rebecca, dona do clube.

Vamos com uma curiosidade, a origem da série se deve ao fato que Ted Lasso é um personagem criado pelo próprio ator, ele fez para promover a Premier League no NBC Sports, divisão esportiva dos canais NBC. Em 2013, a emissora pagou US$ 250 milhões pelos direitos do torneio para transmiti-lo nos EUA — uma fortuna se considerarmos que o Tio Sam não é dos mais chegados no nosso futebol. Mas, Larissa, a série é sobre futebol como é que tu gostaste? Porque eu gosto de futebol e porque não é só sobre futebol.

Talvez o primeiro capítulo da série não te pegue, mas vai te deixar curioso para ver como Ted vai manejar essa situação tão absurda. A série é cheia de clichês, começando pelo fato de que Ted Lasso é um caipira americano, gente bonissíma que não manja de futebol, mas entende muito de seres humanos e assim que ele vai trabalhar para tirar o melhor de cada jogador ali dentro. Quem já não viu isso inúmeras vezes em séries e filmes? Vá embora não! volte aqui, porque isso muda rápido, a série apresenta personagens profundos que vão sendo apresentados para nós ao longo dos episódios, e vamos conhecendo a história de cada um deles e aí vamos criando laços com eles profundos, assim como faz Lasso e o Coach Beard. Ele faz surgir o sujeito de cada jogador e é impossível não se emocionar com isso.

Equipe do AFC Richmond, novo desafio de Ted Lasso.

Lasso é achincalhado pela imprensa local e até isso ele consegue reverter e não é forçado não, ele faz porque ele realmente fica curioso com o que está sendo dito ali sobre ele, sobre os jogadores e principalmente ele quer conhecer as pessoas, até aquelas que falam mal dele, ele quer saber quem é aquela pessoa, ele se importa, e isso já me fez cair de cara com a série! E é por isso que eu digo que não é uma série sobre futebol, e sim sobre seres humanos, sobre laços possíveis de serem feitos, até aqueles que a gente muitas vezes acha impossível! E isso me faz lembrar de uma cena que eu amei, que é quando o jornalista Trent Crimm do The Independent vai passar um dia inteiro com Lasso, e o jornalista é sempre muito arrogante com ele em todos os momentos, no dia seguinte sai a coluna dele no jornal e ele diz que Lasso certamente será um fracasso como técnico, mas como ser humano não, e tece vários elogios ao nosso protagonista.

A série nos faz rir, mas esse humor é muito sensível, tu não vais encontrar aquele humor cortante, rasgado, não, nada disso. Mas, o humor está lá muito bem colocado e diria até com muita sutileza, mas tem vários momentos que tu vais dar boas risadas, a maioria delas com a dupla Bear, Lasso e Nathan.

Coach Beard, Ted Lasso e Nathan protagonizam as cenas mais engraçadas e humanas na série.

Parabéns aos roteiristas da série, que bons diálogos temos aqui! E o que dizer dos atores? Não tem um que apareça e tu penses: esse não me convenceu, não tem um! Sudeikis é bastante divertido como o simpático Lasso, cujo jeito caipirão boa praça vai conquistando a todos ao seu redor, desde os mais resistentes até a dona do time, Rebecca Welton (Wassingham); os jogadores do elenco, como o jovem talentoso e mascarado Jamie Tartt (Phi Dunster) e o veterano temperamental Roy Kent (Brett Goldsteins); o doce roupeiro Nathan “Nate” Shelley (Nick Mohammed); entre outros. Vale ressaltar que todos tem os arcos muito bem definidos.

Rebecca ( Hannah Waddingham) e Keeley Jones (Juno Temple) se tornam grandes amigas e roubam a cena.

Para mim, o futebol, entrou aqui como um link para a vida sabe? Cada jogo, cada desafio ali era muito mais do que onze jogadores em campo, até porque para desespero de alguns o mais importante para Lasso não é vencer e sim a união daquela equipe, o fortalecimento de comunidade, o otimismo frente às adversidades, é essa a mensagem que Ted Lasso quer passar e é o grande acerto da produção.

Ted Lasso é aquela série que faz com que a gente se sinta bem, que tu assiste com um sorriso no rosto, e por isso eu recomendo tanto no momento que estamos passando, ela é um ótimo escape por algumas horas, um tipo de atração que pelo menos para mim estava até fazendo falta esses dias, porque temos bom elenco, texto bem escrito, uma direção segura. E esse tipo de atração estava fazendo falta em nosso dia a dia, tanto que ela caiu no gosto da crítica e já abocanhou todos os prêmios que foi indicada nos Critics Choice Awards com Jason Sudeikis foi escolhido Melhor Ator em Série Cômica, Hannah Waddingham levou como Melhor Atriz Coadjuvante em Série Cômica e “Ted Lasso” foi eleita a Melhor Série Cômica no Critics Choice Awards.

Cidade Invisível

Na Tela com a Lari

E hoje na volta do NA TELA COM A LARI, vamos de série Brazuca, sempre bom enaltecer as produções nacionais né mores?! E essa mexeu fundo com as minhas memórias infantis.

Cidade Invisível , série Brazuca, disponível na Netflix.

A primeira temporada vem com 7 episódios de cerca de 40 minutos cada. No decorrer desses episódios vamos juntos descobrir os mistérios da Vila Toré, do passado de Eric e Gabriela e saber ainda como criaturas folclóricas conseguiram se ambientar num mundo moderno. Cidade Invisível chegou na Netflix em fevereiro, e é uma produção original da Netflix, produzida totalmente aqui no Brasil e já temos a boa notícia de que já foi renovada para a segunda temporada, isso mesmo! Se tu não assististe a primeira ainda, corre que tá demais!

A trama é uma história de mistério e ação envolvendo o protagonista Eric, o gato todo poderoso do Marco Pigossi, que gente, cada dia que passa esse homem tá mais bonito! Na Trama ele é um policial que quer descobrir quem são os responsáveis pela morte trágica da sua esposa e nessa busca, nosso protagonista gato, pera que tô enxugando a baba aqui, ele descobre que existem entidades vivendo entre os humanos, na verdade os nossos clássicos personagens do folclore brasileiro, que antes eram apenas lendas. Ele custa a acreditar na teoria, mas vai se deparando com acontecimentos que vão fazendo com que ele enxergue o que está para além do simples cotidiano humano (esse menino não teve avó não?! Porque a minha contava pra gente todas essas lendas e a gente ficava fascinado e morrendo de medo também, era tão bom!) e aí ele começa a reconhecer a existência de figuras como o Boto-cor-de-rosa, Saci-Pererê, a Cuca, interpretada aqui pela deusa Alessandra Negrini, o Tutu marambá, você sabia que o Tutu é irmão do Bicho-Papão e do Boi da Cara Preta, não? Pois é, que família massa né pessoal?!

Tutu Marambá vivido pelo ator  Jimmy London

Nessa busca Eric, personagem de Pigossi, fica bolado porque os mistérios só aumentam quando ele encontra um boto cor de rosa, de água doce na areia da praia. Então, nessa busca para desvendar o assassinato de sua esposa e matar a curiosidade de tantos acontecimentos, ele se envolve com outros personagens misteriosos, como Camila e Inês, que são, na verdade, Iara e Cuca. Aliás quero ressaltar aqui uma cena belíssima! Quando Erick é encantado pela voz da Iara vivida na série pela bela Jessica Córes, ao som de Sangue Latino dos Secos e Molhados, eu revi essas cenas umas 4 vezes, sério isso! Primeiro que eu amo a música e segundo a cena é muito linda.

Jessica Córes da vida a Iara ao som de Sangue Latino dos Secos e Molhados

Aliás, a fotografia dessa série é um desbunde! Cenas lindas que ficam gravadas em nossa memória e que me deu vontade como já disse de rever algumas cenas. É válido ressaltar que a série foi gravada no Rio de Janeiro (e teve várias críticas quanto a isso) e ela faz uma mistura entre o misticismo e o mundo atual, e faz com muita sutileza. E para isso tem um jogo de câmeras muito bem feito que nos mostra muito bem o que a história quer nos passar.

Cidade invisível é uma delícia de assistir, ela te envolve se você já tem familiaridade com o tema e se não tem, vai te dar curiosidade de saber quem são aqueles personagens, que vale a pena ressaltar também e ponto para a série! A caracterização dos personagens é brilhante porque não se prende aos elementos clássicos do folclore, eles conseguem modernizar os personagens sem descaracterizá-los, então é impossível não elogiar o toque moderno que a história ganha enquanto as entidades acompanham e se adaptam para continuar existindo na sociedade contemporânea.

Eu como paraense só senti falta mesmo foi da presença da Matinta Pereira, não sabe quem é?! Ela é uma é uma bruxa que assombra as casas durante à noite e se transforma num pássaro, o “Rasga Mortalha”, minha mãe fazia o assobio dela direitinho gente, eu ficava apavorada! Rindo alto aqui!!! Ela aparece a noite perturbando o sono das pessoas à procura de tabaco. Nesse momento, um dos moradores da casa precisa dizer em voz alta que dará para ela o tabaco e no dia seguinte em sua forma humana ela volta pra buscar, não é de arrepiar?!

Matinta Pereira

Você sabe o que é A rasga mortalha? é o nome popular que se dá, na região norte e nordeste, à uma pequena coruja, de cor branca, de voo baixo. O atrito de suas asas, ao voar, produzem o som de um pano que está sendo rasgado. O povo acredita que, quando ela passa sobre a casa de alguma pessoa doente, ela esteja rasgando a mortalha do doente, que, assim está prestes a morrer. A rasga mortalha só sai na boca da noite. Por isso é conhecida como uma ave agourenta.

Cidade Invisível é uma série de fantasia, logo, teve gente que criticou muito os efeitos visuais, para mim o que a série traz é tão lindo que eu sinceramente não achei ruim os efeitos visuais e ainda acho que a falta de efeitos super elaborados traz a série ainda mais perto do nosso mundo e quero ressaltar também o desenvolvimento dos personagens, todos humanizados e deixando de lado esse papo de inteiramente bons ou maus.

Curupira o grande defensor da Mata

Cidade Invisível teve críticas sérias e que eu espero que a produção e a direção da série revejam para essa segunda temporada. Os Indígenas reclamaram da falta de representatividade na produção, na frente e atrás das câmeras. Já que os personagens do folclore brasileiro apresentados na atração são baseados em lendas e crenças nativas, chama mesmo a atenção a quantidade de intérpretes, produtores e roteiristas brancos envolvidos no projeto, entre eles o cineasta Carlos Saldanha (diretor das animações “Rio” e “O Touro Ferdinando”) e com a total ausência de representantes da cultura retratada. Uma coisa me incomodou muito que foi o Boto-Cor-de-Rosa, chamado de Manaus, e que é interpretado por um ator branco, e já basta aquela versão com o Carlos Alberto Riccelli né mores?!

Não tira o brilho, a força e a beleza da série não! E como disse, faço uma aposta de que os diretores e produtores pensem nas críticas e mudem para a segunda temporada. No mais, corre pra assistir Cidade Invisível que a gente tá precisando sentir orgulho do nosso país e de ser brasileiro.

Se Algo acontecer… Te amo.

Na Tela com a Lari

É um curta de animação disponível na Netflix, de 12 intensos minutos, e tenta nos mostrar com sucesso, a história de como um casal que perdeu a filha em uma chacina em uma escola nos EUA, tenta atravessar esse luto. A animação é dirigida pelos atores Michael Govier e Will McCormack.

O Curta está disponivel na Natflix

Ainda ontem falava para uma paciente que quando você perde o marido, você se torna viúva, quando você perde pai ou a mãe você é órfão, quando se perde um filho não há palavras para isso. Como nos mostra Lacan, esse é o encontro com o Real. O Real Lacaniano, que é inominável, não se nomeia, de tão intenso que é o sentimento, não há palavras para descrevê-lo. A animação fala de muitas coisas, vai desde uma crítica à questão de posse de armas nos EUA e segue falando de perda, vazio e das lembranças que ficam quando alguém que amamos se vai. O Curta acerta, pois apesar de tratar de temas tão duros o faz com leveza e respeito, podemos observar que o passado e presente se misturam em imagens, cenas cheias de alegria, músicas e uma família até então completa. 

Como disse, a animação fala de um país que cultua armas e que defende que a população civil se arme, e estamos falando também de um país que não existe o coletivo, de um país que acredita que você sozinho é capaz de se fazer e que o estado tem zero ou pouca obrigação com você, apesar dos impostos que você paga. Sabemos, e não é de hoje, que os casos mais graves de matança em escolas, acontece nos EUA. Não é para menos! Saindo do pressuposto do coletivo e indo para o individualismo, se eu não consigo o que todos dizem que é fácil de conseguir, seja carreira, amor, sucesso, o que há de errado comigo? Existem aí algumas saídas; suicídio e sair atirando em quem eu penso que contribuiu para o meu fracasso.

o curta fala sobre luto, sobre a eleboração do luto.

Temos vários filmes falando sobre isso e recentemente eu reassisti três deles: Tiros em Columbine, do diretor Michael Moore, Elefante do diretor que eu amo Gus Van Sant, e o maravilhoso, Precisamos falar sobre o Kevin da diretora Lynne Ramsay, inclusive, recomendo muito o livro, pois lá tudo é narrado pela mãe de Kevin e fala também da sua relação com a maternidade.

Filme: Precisamos falar sobre o Kevin.

Vemos através do curta o nítido sentimento de impotência e da total queda de esperanças, sonhos e expectativas. O dia do massacre se mistura na cabeça dos pais com lembranças como o último aniversário de 10 anos de sua filha, essas lembranças são guiadas por sombras, como se elas avisassem o que ia acontecer e que talvez eles poderiam ter aproveitado cada minuto a mais com a filha ou quem sabe até a impedindo de entrar na escola aquele dia. O atravessamento do luto nos leva a pensar na maioria das vezes coisas do tipo: se não, se fosse, eu poderia…

Escola aonde acontece o massacre

As sombras seguem narrando a história e graças a elas temos movimento e podemos pensar também sobre nossas vidas, será que aproveitamos todos os momentos que podemos com quem amamos? Elas nos ajudam também a fazer uma alternância entre o passado e o presente, entre a lembrança e a ausência, entre a tristeza e a cumplicidade, lembrando aqui que às vezes um casal não consegue seguir junto quando uma tragédia dessas acontece, por diferentes motivos.

A animação utiliza a linguagem não verbal e tem nos momentos decisivos uma trilha sonora bem mais intensa. Utiliza o sombreamento para destacar os sentimentos que os personagens estão tendo.

Sombras que ajudam a contar a história relembrando o passado.

No Brasil não temos quase esse tipo de massacre nas escolas, nosso massacre é outro! Nessa semana o Brasil enterrou mais duas crianças negras Emilly (4 anos) e Rebeca (7 anos) primas que brincavam na porta de casa, quando foram alvo de bala perdida. A bala que entrou na cabeça de Rebeca saiu e atingiu o abdômen de Emily. Bala disparada pela PM do Rio de Janeiro.  Só foi preciso uma bala para desfigurar essas famílias.

Nessa semana ainda, o Presidente Bolsonaro zera o imposto de importação de revólveres e pistolas, como sempre, não levando em conta a absurda estatística, em que dezenas de milhares são vítimas de homicídio anualmente no Brasil. Quero lembrar que esse mesmo homem, taxou livros, não há melhor maneira de explicar quem é o presidente de país.

Se você se emocionou assistindo “Se algo acontecer…Te amo” e não se emociona ou se revolta com o que acontece aqui debaixo do seu nariz, você merece o presidente que tem! Eu não, eu votei na esperança, eu votei no Professor, eu votei pelos livros e não pelas armas. O curta tem só 12 minutos, depois de assistir você vai fazer um exercício de reflexão, faça! Te peço que faça, pois 2022 está logo aí.

VACINA É URGÊNCIA

por Artemis Zamis

Já se vão mais de 450 dias desde que se instalou no mundo a Covid-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, que continua dizimando vidas por todo o planeta sem tomar conhecimento de governos, ideologia política, credo, cor, raça. Simplesmente mata. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o primeiro caso de infecção ocorreu em 08 de dezembro de 2019 em Wuhan na China e de lá para o mundo foi quase que instantâneo, surpreendendo a comunidade científica e OMS. Nada se sabia sobre o novo coronavírus e o que ocorreu foi a sua disseminação global rápida, que fez a OMS decretar pandemia já em março de 2020. De lá para cá, já se foram mais de 2 milhões de vidas no globo, tendo os Estados Unidos em primeiro no ranking com mais de 457 mil mortes e o Brasil em segundo com mais de 257 mil vidas perdidas.

Graças a governos aguerridos como os da Inglaterra, Rússia, China, Alemanha e outras potencias mundiais que puderam investiram pesado em pesquisas, em tempo recorde fizeram surgir vacinas eficazes que já se espalham mundo a fora para conter a pandemia.

Infelizmente Países como Estados Unidos e Brasil, tiveram o maior numero de mortos e contaminados pelo desastroso modo com que seus governos trataram a pandemia por seu negacionismo, desprezo pela ciência, menosprezo pelos protocolos sanitários e pasmem, até propaganda de remédios comprovadamente ineficazes contra a doença, como Ivermectina e Cloroquina que na verdade são para vermes, piolhos e malária respectivamente, foram divulgados como tratamento precoce para a covid-19. O presidente do Brasil, foi a TV e redes sociais divulgar massivamente esses remédios, chegando até a correr atrás de uma Ema no palácio do planalto com uma caixa de cloroquina na mão com o intuito de chamar a atenção para que a população aderisse o consumo de tais produtos. Absurdo!

Segundo relatório de uma comissão da prestigiada revista britânica “The Lancet” feita no governo de Donald Trump, apontou que 40% das mortes por coronavírus nos EUA teriam sido evitadas se o governo não tivesse sido inepto e ineficiente no combate a pandemia. Uma tragédia que deveria ter sido menor.

A mesma revista em recente estudo sobre a doença em nosso país, feito por 6 cientistas, aponta que a necropolítica está viva em nosso país, que vivenciamos não só uma crise econômica, mas política e ética, que as ações do governo no combate a pandemia são as mais desastrosas já vistas no mundo. A bem da verdade a “The Lancet” apenas comprova o que todos nós com o mínimo de percepção da realidade presencia todos os dias. O governo Bolsonaro (Sem Partido) tem tanto desprezo pela vida das pessoas que dos 20 bilhões aprovados pelo congresso para uso exclusivo no combate a pandemia, usou apenas 9% do total, conforme informou a Folha de São Paulo na edição de hoje.

Se nos EUA 40% de mortes poderiam ter sido evitadas, talvez quantas famílias poderiam ainda estar juntas e não dilaceradas pela ineficiência, negacionismo e irresponsabilidade de um governo que ainda não se conscientizou que o vírus não tem lado, ele não é de direita nem de esquerda, apenas mata.

Este governo precisa entender de uma vez por todas que não pode governar apenas para sua claque. Um presidente tem que governar para todos e todos precisam ser alcançados em suas necessidades. A pandemia infelizmente está entre nós e aqui endosso o chamamento do epidemiologista Fernando Barros, da Universidade Federal de Pelotas e da Universidade Católica de Pelotas que em entrevista ao Uol hoje, afirma categoricamente que se não houver um clamor popular pela vacina, continuarão a morrer mais de mil pessoas por dia.

A situação é dramática. A continuar nessa batida, se tudo der certo talvez o Brasil consiga vacinar 100% em 2022 apenas. Até semana passada conforme dados divulgados, o Brasil era o 49º no ranking de vacinações.

Um clamor popular há de ser levantado pela compra de vacinas. Se já temos a solução, constitui crime não se evitar a morte.

UM NOVO PAÍS AINDA É POSSIVEL

por Artemis Zamis

O ano de 2020 ficará marcado na história como o pior ano que nossa geração pode experimentar, desde que o S.S. Demerara chegara ao porto de Recife trazendo a pior e mais devastadora de todas as pandemias que foi a gripe espanhola. Mais de 100 milhões de pessoas sucumbiram por causa da peste em todo o mundo. Foi o ano em que nosso planeta foi atacado de novo e ainda continuamos a experimentar sem trégua, o gosto insípido da perda. Todos os dias perdemos um abraço, um beijo, um afago de alguém que amávamos.

Temos novos comportamentos, novas maneiras de nos relacionarmos e um novo modo de vida. 2020 foi o ano ruim em todos os sentidos. Afinal, uma pandemia não pode trazer outra coisa a não ser a derrota e muita desgraça. O Brasil não ficou de fora desse flagelo humano, e como se não bastasse, o potencializou pelo descaso e pela incompetência das autoridades. Já mencionei isso em outros textos e posso estar sendo repetitivo, mas entendo que são coisas que precisam ser ditas sempre, até que mudem, até que se mude.

O Brasil, em meio ao medo e a expectativa da vacina, assiste ansioso os mais de 40 países vacinarem em massa seus compatriotas. Governos aguerridos em busca da vacina obtiveram sucesso em adquiri-las e promovem o alívio do medo, optando por dar a todos a esperança da vida.

2021 será o ano da esperança.

É o ano em que cedo ou tarde a vacina virá. E é apenas ela que pode nos assegurar a vida e a força para lutar e acreditar que podemos sim, fazer um pais melhor, um novo país.

Um novo país ainda é possível.

É possível porque nosso povo ainda tem maioria que é solidaria, afeita a bons gestos de humanidade e propagador de esperança. Nossa esperança deverá ser pautada em uma união forte, coesa, onde as diferenças sejam deixadas um pouco de lado e nossa luta seja pela reconstrução. Uma reconstrução da economia, do trabalho, da educação, da saúde, mas principalmente a reconstrução de nossa sobriedade perdida. Reconstruir em nome dos que perdemos, um novo caminho, novos pensamentos e nova forma de país. O mundo mudará e com ele obrigatoriamente também mudaremos. Ainda é desconhecido o que nos aguarda no futuro. Tudo ainda é obscuro e temeroso, não temos a absoluta certeza do que será o pós pandemia, porém há de se lutar e acreditar que o melhor e mais promissor terá que acontecer.

Lutaremos por nossos filhos, nossos netos, toda nossa família. Nossas estruturas familiares são sempre nossos pilares e são por eles que acordamos e voltamos pra casa todos os dias.

Um novo país é possível, acredite nisso.

FELIZ 2021!!!

BRASIL DE AMOR ETERNO, SEJA SIMBOLO DE NOVO

por Artemis Zamis

“A pandemia realmente tá chegando ao fim. Os números tem mostrado isso daí”

“Tem uma pequena ascensão agora, o que chama de pequeno repique”

“A pressa da vacina não se justifica porque você mexe com a vida das pessoas”

Estas frases, que embora pareçam ter sido ditas por um interno de algum manicómio, na verdade foram ditas por uma “pessoa” que ocupa neste momento o maior cargo executivo do país que é o de presidente da república.

Disse, com a frieza dos genocidas e com o desequilíbrio aparente dos sociopatas. Disse, em uma semana em que o Brasil atingiu a triste marca de 333 mil novos casos de Covid-19, o maior desde o início da pandemia. Disse, quando o mundo atinge quase 2 milhões de mortos, e quando, só no Brasil, já quase atingimos 200 mil mortes pela pandemia. Disse, porque lhe é prazeroso promover o caos e a desordem. Disse, porque a mentira é o seu maior dom e a sua melhor plataforma de governar, ou desgovernar. Disse, porque é o monstro da vez, em um mundo onde os monstros já foram quase todos extintos. Só ele persiste.

Nós, brasileiros lúcidos, infelizmente fomos os sorteados por alguma força desconhecida para ficar sob o julgo de um ser tão pusilânime e funesto. Acometidos por uma das mais devastadoras pandemias já vistas no mundo, nos coube o comando da incompetência, da insensatez e da desinformação. Vimos ser nomeado para presidir a pasta da saúde, órgão que por sua atribuição seria o condutor e controlador da pandemia, um general especialista em logística militar. Um ministro que, dentre as tantas declarações sem sentido, nos brindou com a pérola da semana:

“Pra que essa ansiedade, essa angústia?”

Disse ao se referir sobre a expectativa da população quanto a chegada da vacina. É notório que o obediente e submisso ministro não tem preparo algum para o cargo, e foi colocado lá por isso mesmo. Aqui é regra que a incompetência seja requisito básico para importantes cargos, desde o mais alto escalão até o baixo clero. O do presidente é o mais evidente.

No mundo, todo o esforço de todos tem sido para debelar a pandemia. Órgãos de saúde fizeram um esforço, nunca visto antes, para criarem uma vacina em tempo recorde, que fosse eficaz e confiável. E chegou. Em vários países já começaram a aplicação da vacina, porque foram competentes e eficientes quanto a concentração exclusiva de preservarem a vida das pessoas. Nosso presidente preferiu fazer politica e mentir, espalhando que a cloroquina, um remédio comprovadamente ineficaz para o tratamento da covid-19, é que salva.

Não temos um governo, temos sim um presidente que, ao fazer todo essa baderna ideológica, tem só o sentido de tirar o foco dos escândalos que envolvem sua família, e principalmente, Flavio Bolsonaro que recentemente foi revelado pela imprensa que a Abin lhe forneceu relatórios privilegiados para sua defesa no caso das rachadinhas da Alerj.

Desde 2018 o Brasil não tem um presidente que se preocupa com planos para a economia, saúde, educação, trabalho, infraestrutura e planos sociais. Sua preocupação exclusiva é promover absurdos para tirar o foco de supostos crimes que envolvem os seus zeros.

Até quando seremos escravos dessa desordem?

Não podemos aceitar a normalização do absurdo que se desenha no Brasil. Parte da imprensa que antes ajudou a criar o monstro, e hoje não sabe o que fazer com a criatura, se omite e lança a população à fome e a miséria.

Assistimos passivos retirarem nossos direitos trabalhistas, nossos empregos e nossa saúde. Assistimos acuados o desmonte do país. Nos jogam na lama da vergonha e nos amordaçam sem que sintamos a opressão.

A mentira, o gabinete do ódio, os soldados das fake news mudaram a cara do país com o novo governo. Transformaram mentes e nos impuseram a desinformação como mote principal para a sustentação da Et caterva. Souberam descobrir com maestria que um povo pode ser manipulado facilmente quando uma mentira lhes é empurrada nas vísceras. Hitler, Mussolini foram os grandes mestres que até hoje despertam paixões. Parece surreal, mas é fato.

De qualquer forma, a pandemia vai passar. Pra nós, mais tardiamente, mas vai passar. Infelizmente com mais vidas perdidas por incompetência das autoridades, mas vai passar. E quando passar, que possamos estar apostos para nos mover ainda que despedaçados, na maior união democrática já vista, para o resgate da normalidade democrática e de nossas vidas.

Eu aposto nisso.

FELIZ NATAL

por Artemis Zamis

Estamos nos aproximando do Natal, a data em que o cristianismo comemora o aniversário de Jesus. Nosso natal será em um mundo totalmente diferente daquele que estávamos acostumados a passar, por conta da pandemia da covid-19 que ainda perdura e se espalha por todo o planeta dizimando milhares de pessoas e contaminando outras tantas. Ainda teremos um Natal sem a tão aguardada vacina, mas que com certeza será um Natal de esperança que ela logo chegue e traga de volta um pouco de nossa vida normal ou quase normal.

 As comemorações desse Natal em muitos lares, terão cadeiras vazias na mesa da ceia, uma, duas ou mais. Em algum lugar, alguém deixará de abraçar um parente ou um amigo que lhes foi tirado repentinamente pela pandemia. Em algum momento o sorriso, tradicional dessa data, poderá dar lugar a um choro contido e saudoso. Nossa Geração nunca havia passado por algo tão inesperado e devastador. O Brasil foi um dos países mais afetados e menos assistido pelas autoridades competentes. Desprezaram e subestimaram o vírus, trataram-no atabalhoadamente e por vezes com deboche e ironias descabidas. Dificultaram estudos e protocolos de tratamento. Foi um começo triste e desesperador para a classe médica que por desconhecer quase tudo da doença e tendo que lidar com os embaraços das autoridades de saúde, nos trouxe um dos piores resultados de contaminação e óbitos do mundo. Hoje, estamos no limiar de uma segunda onda e não temos nenhuma medida de contenção séria e efetiva. As aglomerações continuam indiscriminadamente em bares, baladas, praias, estradas, como se a pandemia já tivesse terminado. Máscaras são desprezadas, protocolos de distanciamento são desrespeitados e pessoas estão surtando com atitudes violentas, como no caso de um cidadão que agrediu um outro em um restaurante, simplesmente por ter tossido à mesa em que se preparava para fazer uma refeição.

 Mas é Natal. Será sim diferente de todos, mesmo para os que não perderam algum ente querido. Será diferente por termos tido um ano sem empregos, sem saúde, sem perspectivas econômicas, sem um plano econômico consistentes que vislumbre um horizonte promissor para todos, aumentos astronômicos de produtos básicos como o gás de cozinha, e da cesta básica, supressão do auxilio emergencial, que embora pequeno, ajudava milhares de pessoas a proverem um sustento mínimo que fosse.

 Mas é Natal. Se não pudermos ter a alegria de sempre, que tenhamos a coragem de prosseguir na luta por um mundo melhor, coragem de lutar por nosso país e por nossos irmãos que sofrem em algum lugar desse imenso território. Que possamos ter união e força para promovermos um recomeço, onde todos possam ter os seus sonhos de volta e a liberdade de alçar novos voos em busca de uma vida melhor pra si e para os seus. Que a palavra amizade deixe de ser apenas um substantivo e seja calor, afago, consideração, amor e sinceridade.

 O mundo vai precisar que todos os dias sejam sempre de um Feliz Natal.

Sex Education

por Larissa Nogueira

E hoje vamos falar de uma série que eu evitei muito, porque eu fujo de séries tens, e que bobagem que eu fiz! Bobagem corrigida e que merece está aqui hoje no Na Tela com a Lari, vamos então falar de S-E-X-O?! SEXO?! Sim, vamos de Sex Education.

Maeve, Otis e Eric – Sex Education (NETFLIX)

Sex Education é uma série de comédia/drama britânica, vocês estão ligados que eu sou fissurada em séries britânicas né?! Que está no catálogo da Netflix, foi criada por Laurie Nunn. Nessa série, vamos acompanhar a história de Otis (Asa Butterfield), um adolescente de 16 anos, que começa a sentir a sua sexualidade aflorando. Sua mãe, vivida pela excelente Gillian Anderson, que faz o papel da insuportável da Margaret Thatcher em The Crown, está maravilhosa aqui também e vem dar aquele toque especial, porque  ela é uma terapeuta sexual, logo, Otis já escutou muita coisa sobre sexo dentro de sua casa, inclusive tropeça com os namorados da mãe que vão e vem, e frequentemente entram em seu quarto achando que é o banheiro da casa. Só que mesmo tendo vivido em um lar liberal e sacar até bem sobre sexualidade, ele ainda se sente constrangido quanto o assunto é a sua sexualidade. Quem nunca né gente?! Isso toma maiores proporções porque todos os alunos da sua escola, também estão se descobrindo sexualmente. E vendo seus colegas se debatendo com questões sexuais, ele percebe que conhece o assunto e começa a dar conselhos para eles e cria um tipo de clínica, terapia breve, onde ele escuta e dá conselhos e faz isso com a amiga Maeve (Emma Mackey). E mesmo assim, a trama não nos deixa esquecer de que ele também é adolescente e que também está cheio de inseguranças quanto ao fato de ser virgem e não conseguir se masturbar.

Larissa, essa série não é um besteirol de adolescentes?!!! NÃO! Não é! Com o passar dos episódios, a série vai se aprofundando em diversos temas da sexualidade e da afetividade humana de uma forma super responsável e às vezes, por que não, até didática. Vamos dar uma olhada no melhor amigo de Otis, Eric (Ncuti Gatwa): de cara parece o clássico gay afeminado e divertido, só que seu personagem vai se aprofundando e, ele tem cenas lindas com seu pai, que assim, passa a aceitar melhor a si mesmo, suas origens e seus desejos. Esses papos que o Eric leva com o pai dele na série me lembrou muito aquele diálogo final de Call Me by Your Name, que me fez chorar no cinema, já assistiu? Se não assistiu, assista!

Filme; Call me by Your name (2017)

Assistindo a série, nós vamos entendendo que as dificuldades de Otis, são um reflexo de vivências traumáticas da sua infância no ambiente familiar, que tem tudo a ver com o modo como seus pais lidam com o sexo e então dessa forma, nós temos  também a oportunidade de acompanhar a transformação que ocorre na relação de Otis com seus pais, assim como, de outros personagens e vamos entendendo como o ambiente familiar pode ser um facilitador ou dificultador para a criação da identidade desses adolescentes.

Durante nossa vida, vamos fazendo constantes descobertas sobre nossa identidade, nossos desejos e esses questionamentos são levantados a respeito de quem somos e de quem queremos ser. Esse processo é sempre envolto em angústias a respeito de situações vivenciadas, dentre elas a sexualidade que ganha muita importância principalmente na adolescência. E quando falamos de sexualidade estamos nos referindo a um conceito estudado em Psicanálise que diz respeito à forma como o sujeito se relaciona com ele mesmo, com o ambiente e com as pessoas ao seu redor, tanto no campo afetivo como no campo sexual.

Otis e sua Mãe, Jean Milburn, que é terapeuta sexual.

Sex Education deixa claro que a chave para quebrar tabus é a comunicação e a compreensão. Fora que é uma série muito divertida, eu dei altas gargalhadas e me lembrei de muito de quando eu fui adolescente. O melhor, é que trata com grande responsabilidade, honestidade e delicadeza, assuntos que vão desde aborto até a aceitação própria, passando por masturbação e relacionamentos familiares ou entre amigos. A série como disse, foi criada por uma mulher e os roteiros são assinados por mulheres também, e penso que é por isso que tudo reflete de maneira muito positiva na narrativa, sabe por quê? Vamos lá, as personagens femininas são muito bem desenvolvidas e empoderadas, elas discutem sobre saúde feminina e sororidade, eu achei esses momentos maravilhosos! E a série também aborda a masculinidade sem que seus personagens masculinos sejam tóxicos, a gente só tira dessa o diretor da escola, ele é bem podre! E é muito sensacional de ver como ela retrata com naturalidade pessoas da comunidade LGBTI+ e seus relacionamentos.

Eu resisti muito a Sex Education, como já disse, e me rendi! Quero dar um destaque para o elenco, a maioria principiante, diverso e talentoso. Enfim, uma série primorosa que, com muito bom humor, falando sobre assuntos tão fundamentais a formação de um ser humano.

Eric (Ncuti Gatwa) e Adam Groff (Connor Swindells).

Recomendo Sex Education para todas as pessoas que se interessam pela temática do sexo e puberdade e digo mais, assista e recomende essa série para aquelas pessoas retrógadas e que são contra a educação sexual nas escolas, talvez ajude né?! Precisamos tentar! Um aviso importante, talvez você também precise se despir, ficar nu, abandonar suas crenças e olhar os personagens com sensibilidade, para conseguir assim captar as nuances das suas relações.

Fleabag

por Larissa Nogueira

Vem comigo e vamos descobrir juntos quem é Fleabag! É uma comédia britânica, uma série de somente duas temporadas com seis episódios curtos em cada, acho que no máximo 25 minutos cada um. É de 2016 e te garanto que vale super a pena assistir, vem mulherada!

FLEABAG, disponível na amazon Prime Video

Foi escrita, produzida e dirigida por Phoebe Waller-Bridge, e é uma das coisas mais impressionantes em termos narrativos já vistos nos últimos anos na televisão. Não é para menos que o nome da roteirista e atriz está crescendo cada vez mais no meio cultural. Além de Fleabag, a inglesa de 33 anos é a criadora da ótima Killing Eve, e está escrevendo o próximo 007 (a pedido de Daniel Craig), também podemos vê-la na Netflix na série Crashing, também de sua criação.

Eu descobri que Fleabag, foi criada a partir de um monólogo feito para o teatro, e quando descobri isso, vi que tinha tudo a ver, pois,  a série conta a história de uma mulher (Phoebe Waller-Bridge), adulta lidando com problemas que todas nós mulheres de alguma forma já lidamos um dia, ou lidamos ainda, que são: problemas de relacionamento, frustração profissional e sexual, dramas e conflitos familiares.

Fleabag, mora em Londres, e é dona de um café que está praticamente falido, e que sozinha tenta atravessar o luto depois da morte de sua melhor amiga e sócia no café. Enquanto isso, vemos Fleabag, tentar se relacionar com sua complicada irmã Claire (Sian Clifford), que é uma executiva de sucesso, seu cunhado podre, Martin (Brett Gelman), seu pai, interpretado aqui por Bill Paterson, e sua madrasta pra lá de megera, papel da sempre maravilhosa Olivia Colman, ganhadora do Oscar de melhor atriz em 2019 pelo filme A Favorita e que faz a Rainha Elizabeth em The Crown.

Um dos motivos que eu amo essa série é a maneira com que ela falou comigo. Sim, a atriz está o tempo todo conversando com quem está assistindo, e eu acho isso brilhante e até me peguei algumas vezes respondendo a algumas perguntas ou brincadeiras que ela faz. E de uma forma sensacional, Fleabag consegue se fazer tão presente e assim, se comunica conosco de uma forma tão intima. Sempre que penso nisso me lembro do filme HER com o Joaquin Phoenix e com a Scarlett Johansson, onde eu consegui sentir a presença dela o tempo todo, mesmo ela não aparecendo uma única vez, adoro esse filme e recomendo demais! Tá, ta bom, eu sei que esse recurso, não é nenhuma novidade em filmes e séries, mas a forma como acontece em Fleabag, me dá a sensação de que é diferente de tudo que já vimos na TV.

FLEABAG, batendo aquele papo com a gente.

Sozinha, super deprimida e usando e abusando do sexo para não pensar nas questões e traumas de sua vida, vemos que Fleabag não tem amigos, ela conta conosco, o público. E como disse acima, nós, quando vemos, estamos conversando com ela em quase todos os momentos, sempre de forma muito espontânea. Ela flerta o tempo todo com a câmera que parece saber o que estamos pensando e assim, olhando para nós, faz com que olhemos ainda mais para ela e vivemos com Fleabag suas agonias, seus segredos e por isso, nós gargalhamos, nos preocupamos e choramos com suas escolhas.

Acho valido ressaltar que não há um tom moralista que demonize a transa casual, ou que diga que o entusiasmo feminino pelo sexo é necessariamente uma expressão de angústia. Também não acho que Fleabag idealiza o sexo sob a aura dourada do empoderamento e do sagrado feminino. Acho que a série acerta e muito quando justamente evita o tom normativo que muitas vezes quer dizer o que o sexo deve ser e o que não deve ser. Vamos pensar nisso? Vocês não tem a sensação também que ás vezes o sexo é, a coisa menos intima que pode rolar? Sexo pode entrar como paliativo para tantas coisas, nos distraindo de nossos demônios, de nossos medos, de culpas, responsabilidades. E essa série não trata da sexualidade feminina de uma forma superficial, não, não! Ela vai fundo e aí a autora se arrisca a nos dizer muitas verdades. E é por isso, acho eu, que tem gente que não curte Fleabag, porque não rola uma resolução cômica, clichês de superação, ao contrário, o que rola na tela, fica mesmo em quem não tem coragem de reconhecer ou de admitir pra si mesmo o que acontece dentro de si.

Phoebe Waller-Bridge, atriz, produtora e diretora da série
Phoebe Waller-Bridge, protagonista, diretora e produtora da série

Eu, acho nossa protagonista uma mulher encantadora e engraçada, que por onde passa ilumina tudo e faz todo mundo rir, mas no decorrer dos episódios vemos que, no fundo, ela carrega segredos, angustias, medos que a fazem repetir comportamentos destrutivos, e o quanto isso vai afastando todo mundo que tenha a mínima intenção de ajudá-la.

Phoebe Waller-Bridge, captura momentos do nosso dia a dia que só nos damos conta quando vemos ali na tela. E é por isso, que as expressões faciais, modos de falar e constrangimentos, são colocados na tela como se fosse um espelho para o público. É tudo tão rápido, como pede o humor britânico, que as vezes fica difícil acompanhar cada detalhe da cena, mas tudo ali é pensado, orquestrado e funcional.

Me perguntaram uma vez: mas essa série só fala de sexo? Se liga, Fleabag fala sobre sexo, sim, mas também sobre franqueza e humor, e também sobre como tudo isso pode ser usado para evitar o incômodo de uma intimidade; ou quem sabe até alcançá-la, quando a intimidade se torna irresistível. Pra mim, é uma história de amor e a mensagem da série é clara ao dizer que estamos diante de uma mulher que diz o que todas pensamos e não temos coragem de dizer. Se o humor de Fleabag alivia um pouco a tensão que sua personagem carrega, ele joga para nós um incômodo, pois quanto mais eu gargalhava em uma cena, mais ela me deixou vulnerável depois, cada piada é imediatamente seguida de um soco no estômago.

Phoebe Waller-Bridge e Andrew Scott, o padre gato!

Pra mim, Fleabag já seria uma obra-prima, só pelo final da primeira temporada, que é quando vemos a nossa protagonista sofrendo uma rejeição absurda, e assistir isso me deu uma experiencia muito mais intima do que qualquer piada com vibradores.  Só que essa é apenas a metade da história. A série retorna, em sua segunda e última temporada, disposta a mostrar que o mesmo jogo de sedução que serve como dispositivo de distanciamento serve, também, para nos aproximar do outro. Chega abordando o amor, e o quanto é aterrorizante amar, principalmente para alguém que se odeia e que sempre se sentiu ameaçada pelo amor. E aí entra o Padre, apelidado pelos fãs da série, inclusive eu, de “o Padre gato” (só vou dar esse spoiler) e ele reconhece que não é fácil pensar em algo original a se dizer sobre o amor, parece até ironia né gente, porque Fleabag, é vista como a série mais original de 2019, só que eu penso que o amor segue sendo um assunto que não se esgota, porque existem muitas coisas a serem ditas sobre, desde que se tenha coragem.

Years and Years

por Larissa Nogueira

Nós que acompanhamos o mundo das séries de TV, eu mesmo sendo rata de série, acho impossível ficar totalmente atualizada. São tantas estreias e retornos a cada mês, fora as séries antigas que descobrimos e que queremos assistir, e ficar em dia com tudo isso é pra mim, inalcançável. E com o tempo, assistindo a tantas produções diferentes, poucas coisas realmente conseguem me surpreender. Years and Years é uma delas! Foi criada por Russell T. Davies (A Very English Scandal, Doctor Who) é uma produção da BBC One, exibida no Brasil pela HBO e se destaca no vasto e concorrido universo televisivo justamente por ser algo totalmente novo e imprevisível.

 Na trama aparentemente simples, acompanhamos uma família durante vários anos, e vemos as relações entre casais, pais e filhos e o conflito de gerações. O ponto alto, aqui, é o contexto! Years and Years pega pesado nos comentários sociais e políticos e isso faz com que o contexto familiar se afaste dos clichês e convencionalidades do gênero. Ao passo que a família segue seu curso, suas vidas são alteradas por fatores externos e muito maiores, porque são acontecimentos que ultrapassam o núcleo familiar.

Família Lyons

Enquanto o Reino Unido é tomado com instáveis avanços políticos, econômicos e tecnológicos, nós vamos acompanhamos a família Lyons e como as suas vidas convergem para a crucial noite em 2019, que muda a vida não só deles, mas do mundo todo. E pelos próximos 15 anos, as reviravoltas do cenário mundial vão influenciar o cotidiano dessa família. E aí surge Emma Thompson, na pele de uma política de extrema direita e bota extrema nisso!  E ela rouba a cena e personifica todos Bolsonaros e Trumps do mundo, Rooky (sua personagem) nos mostra de forma bem construída ao mostrar como um autoritário consegue chegar ao poder sendo popular e falsamente democrático. Sacou?!!!!

Emma Thompson, na pele da política de extrema direita Roock

Já enfrentamos hoje problemas como o desemprego, fome, grandes rotas de imigração e os impactos da tecnologia no dia a dia e na política. A União Europeia, por exemplo, recebeu o maior fluxo migratório de sua história nesta década, um número bem maior do que o dos períodos das duas Grandes Guerras Mundiais. No Brasil, o desemprego está na casa dos 14,4% e não apresenta sinais de melhora há pelo menos 5 anos. Diante desse cenário, quais são nossas perspectivas de futuro?

Por isso, essa semana, quando estamos próximos do segundo turno para prefeitxs na maioria das capitais brasileiras, eu quis falar dessa série. Nosso voto é importante e não podemos eleger candidatos aliados a extrema direita e nem nos isentar e votar nulo.

A série aumenta a realidade de agora tendo como ponto de vista um futuro pessimista e possível. Logo vem à tona o quanto é nocivo um governo que chega ao poder, com seu populismo barato, ignorando as questão das mudanças climáticas — na série vemos meses de chuvas ininterruptas —, o avanço da tecnologia, que muito diferentemente da visão de Black Mirror, nos mostra um futuro mais brando e nada futurístico, mas não menos perturbador. A série teoriza até que, no futuro, teremos apagões e quedas de energia e isso fará a popularidade do papel aumentar, obrigando que gente voltar a ler jornais impressos ou livros, pois são menos suscetíveis a panes tecnológicas. Por que será que me lembrei do que está se passando no Amapá?!

Bom, voltando para Years and Years, onde nesse cenário, Trump não apenas é reeleito em 2020, como lança um míssil nuclear em uma ilha fictícia da China, montando operações militares na base ocupada, pelo menos disso nos livramos né?! Enquanto isso a Rússia assume a Ucrânia à força e há um colapso nos bancos e no mercado de ações, o que faz todo mundo perder o dinheiro que tinha guardado. A tecnologia agora permite que humanos se tornem “trans-humanos”, e assim viver digitalmente e para sempre. As florestas tropicais não existem mais, o Pólo Norte derreteu e, como nos dias de hoje, a maioria não dá a mínima para nada isso.

Campos de concentração de imigrantes na Inglaterra

O que eu adoro na série é que ela desenvolve suas histórias de forma bem imprevisível. O primeiro episódio, por exemplo, começa de forma descompromissada e transita entre o drama familiar e a comédia. Com o tempo, começam a aparecer as ideias fortes acerca da política, sociedade e tecnologia. Calma ai genty! Years and Years não é uma série totalmente política. Apesar dos discursos poderosos, a série não é House of Cardsnem panfletária. Eu ainda vejo a série como um drama familiar com grandes doses de humor, humor britânico, que eu adoro! Arrisco dizer que Years and Years é um espelho das nossas vidas em família, porque seguimos tendo a nossa vida e momentos próprios e pessoais, mas o contexto social, político e econômico ainda nos impacta em maior ou menor grau. A série tenta colocar uma lupa nos absurdos que vemos hoje, aumentá-los e mostrar o que poderá ser daqui para frente se nós não acordarmos. Aliás, ninguém acorda.

Years and Yearsportanto, é uma distopia dos dias atuais. Além disso, quando explora a passagem do tempo, a série brinca com falsas mudanças onde apesar da troca de presidentes e da morte da rainha, nada muda de verdade. O surgimento de Rook, a política fora dos padrões, reflete o surgimento de diversos outros falsos salvadores ao redor do mundo. Com isso, vemos que o discurso engraçado e populista dos políticos não representa uma mudança ou sequer a presença de ideais e planos.

Uma pausa aqui para falar da avó da família, que pra mim, é protagonista de uma das melhores cenas da série, quando ela faz um discurso dizendo que todos ali são culpados e responsáveis pelo mundo estar daquele jeito. Eu revi essa cena várias vezes, várias e me arrepiei em todas as vezes.

CRÍTICA – Years and Years – Papo Furado Podcast
Momento marcante do discurso da Avó da família Lyons

Um adendo: a série erra em alguns momentos quando por exemplo, compara um governo de extrema esquerda com um de extrema direita, como se todos fossem farinha do mesmo saco, e não é né mores?! Até porque dá a entender que a racionalidade está reservada ao centro e ao liberalismo econômico. Morry mil vezes.

Muitas pessoas não conseguiram assistir toda a série, muitas acharam que o soco no estômago é forte demais. Eu assisti duas vezes e penso que é um chamado para agirmos, pois lembrando o discurso da avó, se hoje temos tantos problemas assim, a culpa é nossa. Talvez, tudo pudesse ser evitado se nós agíssemos e fizéssemos a nossa parte.

Por esse motivo quis trazer Years and Years, porque as eleições para prefeito estão para serem decididas em várias cidades e sim, temos a chance de mudar o curso da nossa história e se não fizermos seremos culpados. Assim como na série não é momento de ficar sentado na frente da TV rindo de candidatos que nos parecem absurdos, mas que encontram a sua plateia. Assim como a vida, Years and Years é uma minissérie perturbadora e sensacional, e não é pros fracos do coração.