BRASIL DE AMOR ETERNO, SEJA SIMBOLO DE NOVO

por Artemis Zamis

“A pandemia realmente tá chegando ao fim. Os números tem mostrado isso daí”

“Tem uma pequena ascensão agora, o que chama de pequeno repique”

“A pressa da vacina não se justifica porque você mexe com a vida das pessoas”

Estas frases, que embora pareçam ter sido ditas por um interno de algum manicómio, na verdade foram ditas por uma “pessoa” que ocupa neste momento o maior cargo executivo do país que é o de presidente da república.

Disse, com a frieza dos genocidas e com o desequilíbrio aparente dos sociopatas. Disse, em uma semana em que o Brasil atingiu a triste marca de 333 mil novos casos de Covid-19, o maior desde o início da pandemia. Disse, quando o mundo atinge quase 2 milhões de mortos, e quando, só no Brasil, já quase atingimos 200 mil mortes pela pandemia. Disse, porque lhe é prazeroso promover o caos e a desordem. Disse, porque a mentira é o seu maior dom e a sua melhor plataforma de governar, ou desgovernar. Disse, porque é o monstro da vez, em um mundo onde os monstros já foram quase todos extintos. Só ele persiste.

Nós, brasileiros lúcidos, infelizmente fomos os sorteados por alguma força desconhecida para ficar sob o julgo de um ser tão pusilânime e funesto. Acometidos por uma das mais devastadoras pandemias já vistas no mundo, nos coube o comando da incompetência, da insensatez e da desinformação. Vimos ser nomeado para presidir a pasta da saúde, órgão que por sua atribuição seria o condutor e controlador da pandemia, um general especialista em logística militar. Um ministro que, dentre as tantas declarações sem sentido, nos brindou com a pérola da semana:

“Pra que essa ansiedade, essa angústia?”

Disse ao se referir sobre a expectativa da população quanto a chegada da vacina. É notório que o obediente e submisso ministro não tem preparo algum para o cargo, e foi colocado lá por isso mesmo. Aqui é regra que a incompetência seja requisito básico para importantes cargos, desde o mais alto escalão até o baixo clero. O do presidente é o mais evidente.

No mundo, todo o esforço de todos tem sido para debelar a pandemia. Órgãos de saúde fizeram um esforço, nunca visto antes, para criarem uma vacina em tempo recorde, que fosse eficaz e confiável. E chegou. Em vários países já começaram a aplicação da vacina, porque foram competentes e eficientes quanto a concentração exclusiva de preservarem a vida das pessoas. Nosso presidente preferiu fazer politica e mentir, espalhando que a cloroquina, um remédio comprovadamente ineficaz para o tratamento da covid-19, é que salva.

Não temos um governo, temos sim um presidente que, ao fazer todo essa baderna ideológica, tem só o sentido de tirar o foco dos escândalos que envolvem sua família, e principalmente, Flavio Bolsonaro que recentemente foi revelado pela imprensa que a Abin lhe forneceu relatórios privilegiados para sua defesa no caso das rachadinhas da Alerj.

Desde 2018 o Brasil não tem um presidente que se preocupa com planos para a economia, saúde, educação, trabalho, infraestrutura e planos sociais. Sua preocupação exclusiva é promover absurdos para tirar o foco de supostos crimes que envolvem os seus zeros.

Até quando seremos escravos dessa desordem?

Não podemos aceitar a normalização do absurdo que se desenha no Brasil. Parte da imprensa que antes ajudou a criar o monstro, e hoje não sabe o que fazer com a criatura, se omite e lança a população à fome e a miséria.

Assistimos passivos retirarem nossos direitos trabalhistas, nossos empregos e nossa saúde. Assistimos acuados o desmonte do país. Nos jogam na lama da vergonha e nos amordaçam sem que sintamos a opressão.

A mentira, o gabinete do ódio, os soldados das fake news mudaram a cara do país com o novo governo. Transformaram mentes e nos impuseram a desinformação como mote principal para a sustentação da Et caterva. Souberam descobrir com maestria que um povo pode ser manipulado facilmente quando uma mentira lhes é empurrada nas vísceras. Hitler, Mussolini foram os grandes mestres que até hoje despertam paixões. Parece surreal, mas é fato.

De qualquer forma, a pandemia vai passar. Pra nós, mais tardiamente, mas vai passar. Infelizmente com mais vidas perdidas por incompetência das autoridades, mas vai passar. E quando passar, que possamos estar apostos para nos mover ainda que despedaçados, na maior união democrática já vista, para o resgate da normalidade democrática e de nossas vidas.

Eu aposto nisso.

6 comentários em “BRASIL DE AMOR ETERNO, SEJA SIMBOLO DE NOVO”

  1. Perfeito!! Infelizmente estamos totalmente à deriva, nas mãos de um desequilibrado perigoso. E o combo pandemia / desgoverno, tem deixado ,de um lado pessoas inertes, de outro, toda sorte de ensandecidos, a sair das sombras, copiando seu mestre.Temos que reagir, ou nossa democracia será enterrada junto com nossos mortos.

  2. E eu não tenho culpa! Eu não votei neste genocida! Cansada de ficar na janela…vendo pessoas com máscaras, que já não reconheço mais! Só respondo o ” bom dia” , nem posso dizer se foi pra Joana ou a Ana! Ou António ou Clenio! Aliás, estou sentindo falta de uns, que subiam a rua titubeando. Será que estão vivos? Não sei!

  3. E o pior, por incrível que pareça é que teremos que suportar a presença desnecessária dessa pessoa e sua familícia, pois tem pessoas que acreditam piamente nas palavras desse senhor, dando voz a muitos que esperavam uma pessoa como ele.

  4. As vezes me pergunto se ainda estamos vivos….
    A tolerância aos desmandos desse presidente me faz pensar que já morremos, dentro de nós algo está morto…não é normal sermos tão vergonhosamente atacados e não esboçarmos reacão….

  5. Zamis, você nos brinda com outro texto repleto de lucidez.
    Gostaria de pontuar que, juntamente com o genocida, as associações que deveriam representar a classe médica têm se omitido, sendo, portanto,cconiventes com o que já se apresenta,bem como com oque virá. Vamos sofrer, e sobreviver para reescrever a História.
    Parabéns. Excelente artigo.

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