Sex Education

por Larissa Nogueira

E hoje vamos falar de uma série que eu evitei muito, porque eu fujo de séries tens, e que bobagem que eu fiz! Bobagem corrigida e que merece está aqui hoje no Na Tela com a Lari, vamos então falar de S-E-X-O?! SEXO?! Sim, vamos de Sex Education.

Maeve, Otis e Eric – Sex Education (NETFLIX)

Sex Education é uma série de comédia/drama britânica, vocês estão ligados que eu sou fissurada em séries britânicas né?! Que está no catálogo da Netflix, foi criada por Laurie Nunn. Nessa série, vamos acompanhar a história de Otis (Asa Butterfield), um adolescente de 16 anos, que começa a sentir a sua sexualidade aflorando. Sua mãe, vivida pela excelente Gillian Anderson, que faz o papel da insuportável da Margaret Thatcher em The Crown, está maravilhosa aqui também e vem dar aquele toque especial, porque  ela é uma terapeuta sexual, logo, Otis já escutou muita coisa sobre sexo dentro de sua casa, inclusive tropeça com os namorados da mãe que vão e vem, e frequentemente entram em seu quarto achando que é o banheiro da casa. Só que mesmo tendo vivido em um lar liberal e sacar até bem sobre sexualidade, ele ainda se sente constrangido quanto o assunto é a sua sexualidade. Quem nunca né gente?! Isso toma maiores proporções porque todos os alunos da sua escola, também estão se descobrindo sexualmente. E vendo seus colegas se debatendo com questões sexuais, ele percebe que conhece o assunto e começa a dar conselhos para eles e cria um tipo de clínica, terapia breve, onde ele escuta e dá conselhos e faz isso com a amiga Maeve (Emma Mackey). E mesmo assim, a trama não nos deixa esquecer de que ele também é adolescente e que também está cheio de inseguranças quanto ao fato de ser virgem e não conseguir se masturbar.

Larissa, essa série não é um besteirol de adolescentes?!!! NÃO! Não é! Com o passar dos episódios, a série vai se aprofundando em diversos temas da sexualidade e da afetividade humana de uma forma super responsável e às vezes, por que não, até didática. Vamos dar uma olhada no melhor amigo de Otis, Eric (Ncuti Gatwa): de cara parece o clássico gay afeminado e divertido, só que seu personagem vai se aprofundando e, ele tem cenas lindas com seu pai, que assim, passa a aceitar melhor a si mesmo, suas origens e seus desejos. Esses papos que o Eric leva com o pai dele na série me lembrou muito aquele diálogo final de Call Me by Your Name, que me fez chorar no cinema, já assistiu? Se não assistiu, assista!

Filme; Call me by Your name (2017)

Assistindo a série, nós vamos entendendo que as dificuldades de Otis, são um reflexo de vivências traumáticas da sua infância no ambiente familiar, que tem tudo a ver com o modo como seus pais lidam com o sexo e então dessa forma, nós temos  também a oportunidade de acompanhar a transformação que ocorre na relação de Otis com seus pais, assim como, de outros personagens e vamos entendendo como o ambiente familiar pode ser um facilitador ou dificultador para a criação da identidade desses adolescentes.

Durante nossa vida, vamos fazendo constantes descobertas sobre nossa identidade, nossos desejos e esses questionamentos são levantados a respeito de quem somos e de quem queremos ser. Esse processo é sempre envolto em angústias a respeito de situações vivenciadas, dentre elas a sexualidade que ganha muita importância principalmente na adolescência. E quando falamos de sexualidade estamos nos referindo a um conceito estudado em Psicanálise que diz respeito à forma como o sujeito se relaciona com ele mesmo, com o ambiente e com as pessoas ao seu redor, tanto no campo afetivo como no campo sexual.

Otis e sua Mãe, Jean Milburn, que é terapeuta sexual.

Sex Education deixa claro que a chave para quebrar tabus é a comunicação e a compreensão. Fora que é uma série muito divertida, eu dei altas gargalhadas e me lembrei de muito de quando eu fui adolescente. O melhor, é que trata com grande responsabilidade, honestidade e delicadeza, assuntos que vão desde aborto até a aceitação própria, passando por masturbação e relacionamentos familiares ou entre amigos. A série como disse, foi criada por uma mulher e os roteiros são assinados por mulheres também, e penso que é por isso que tudo reflete de maneira muito positiva na narrativa, sabe por quê? Vamos lá, as personagens femininas são muito bem desenvolvidas e empoderadas, elas discutem sobre saúde feminina e sororidade, eu achei esses momentos maravilhosos! E a série também aborda a masculinidade sem que seus personagens masculinos sejam tóxicos, a gente só tira dessa o diretor da escola, ele é bem podre! E é muito sensacional de ver como ela retrata com naturalidade pessoas da comunidade LGBTI+ e seus relacionamentos.

Eu resisti muito a Sex Education, como já disse, e me rendi! Quero dar um destaque para o elenco, a maioria principiante, diverso e talentoso. Enfim, uma série primorosa que, com muito bom humor, falando sobre assuntos tão fundamentais a formação de um ser humano.

Eric (Ncuti Gatwa) e Adam Groff (Connor Swindells).

Recomendo Sex Education para todas as pessoas que se interessam pela temática do sexo e puberdade e digo mais, assista e recomende essa série para aquelas pessoas retrógadas e que são contra a educação sexual nas escolas, talvez ajude né?! Precisamos tentar! Um aviso importante, talvez você também precise se despir, ficar nu, abandonar suas crenças e olhar os personagens com sensibilidade, para conseguir assim captar as nuances das suas relações.

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