Mrs América

por Larissa Nogueira

Nessa maravilhosa série nós vamos acompanhar a Emenda dos Direitos Iguais, que representou a segunda onda do feminismo norte-americano. E vamos ver mulheres lutando por esses direitos e mulheres lutando contra esses direitos, sim! Isso mesmo, você não leu errado, inclusive esse papel é vivido por Cate Blanchett e você pensa; como assim?! Logo ela que é super milituda pela igualdade de direitos?! Sim, ela quis muito fazer o papel de Phyllis Schlafly e graças a ela conseguimos odiar, amar e até entender essa mulher forte, controversa e conservadora.

Cate Blanchett é Phyllis Schlafly

É uma série então, baseada em fatos reais, e é contada pelas mulheres que foram mais relevantes, Mrs America nos fala dos acontecimentos da década de 70 nos EUA. Nessa época foi levado ao Congresso Norte americano o debate pela ratificação da emenda de Igualdade de direitos (ERA – Equal Rights Amendment) na constituição. Essa emenda que era apoiada pelo Movimento de Libertação da Mulher e buscava garantir através de leis a igualdade de direitos em várias frentes; no trabalho, divórcio e propriedade entre homens e mulheres nos EUA. No meio de toda essa batalha que estava sendo travada surge na cena pública mulheres que passaram a defender os direitos das mulheres donas de casa, que resolveram se organizar e lutar também.

Margo Martindale é Bella Abzug

Os episódios são narrados em ordem cronológica o que traz alívio para muita gente, ainda mais depois de Dark né?! Risos… e vai nos levando a acompanhar os caminhos percorridos por esses dois movimentos. Em Mrs América você sempre vai acompanhar os dois lados dessa disputa e isso é muito interessante. Tudo começa em 1972, quando na iminência da emenda ser aprovada no Congresso dos Estados Unidos, a Câmara dos deputados estabeleceu um prazo de sete anos para que à mesma fosse aprovada em 38 estados, o que seria finalizado somente em 1979.

Gostaria de falar um pouco sobre Phyllis Schlafly, que foi uma das mulheres mais influentes na história do Partido Republicano dos EUA, ela é praticamente desconhecida para quem não está familiarizado com a tradição política norte-americana, mas ela determinou uma grande parte dos valores do movimento ultraconservador norte-americano: a família como elemento central, e o repúdio ao feminismo, ao aborto e ao casamento homossexual (a série mostra que Phyllis tinha um filho homossexual) e que acima de tudo, ela foi a principal promotora do resgate da ideia de que a mulher é basicamente uma cuidadora e mãe, antes que trabalhadora. Só a Cate Blanchett para dar conta de um papel desses não é mesmo?!

Uzo Aduba é Shirley Chisholm

Para além de Cate temos outras mulheres poderosas e militantes feministas,são elas: Rose Byrne (“Damages”) como Gloria Steinem, escritora e cofundadora da revista feminista liberal “Ms.”, que era reconhecida como a líder do movimento; Margo Martindale (adoro ela e não é pouco não!) como a congressista democrata; Bella Abzug; Uzo Aduba (que SÓ ganhou o EMMY por essa atuação) Shirley Chisholm, a primeira mulher de ascendência afro-americana eleita para o Congresso norte-americano e também a primeira a se candidatar à presidência; Elizabeth Banks como a republicana progressista e feminista Jill Ruckelshaus; e Tracey Ullman como Betty Friedan, pioneira do movimento de liberação feminina e autora do emblemático bestseller “A Mística Feminina“‘. O elenco se completa com Sarah Paulson (sim! Sarah em uma série que não é do Ryan Murphy) John Slattery, Jeanne Tripplehorn, Ari Graynor, Melanie Lynskey e Kayli Carter.

Rose Byrne é Glória Steinem

E se depois dessa história e desse elenco eu ainda não te convenci a assisti Mrs America eu vou te falar da trilha sonora, vem comigo. As músicas escolhidas para a série são clássicos da época e nos levam de volta aos anos 70 com canções como “A Fifth of Beethoven“, essa é a música de abertura da série, seguindo com Donna Summer, Rolling Stones, The Kinks e Linda Ronstadt. Claro que eu já baixei todas no meu Spotify e sábado faço faxina escutando e tomando uma cerveja ne?!

“Mrs. America” está para além de uma viagem á década de 70, ela fala conosco hoje, agora, por que apesar tudo se passar nos anos 70, ainda hoje, nos Estados Unidos, a emenda segue sendo tema de debate e a luta continua para que seja ratificada em alguns estados norte-americanos, 12 ESTADOS AMERICANOS AINDA RESISTEM A PROPOSTA. Por isso que, a luta pela igualdade de gênero e a luta do movimento feminista seguem em pauta em diversas partes do mundo.

Onde posso assistir MRs America? No Brasil a série está sendo exibida pela HBO.

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