2020, o Ano que nos fez sentir Saudades

por Jacqueline Vallejo

2020 está sendo um ano que nem nos sonhos mais loucos poderia imaginar que existiria, pandemia, queimadas, mentiras proferidas por presidente na ONU, mortes por Covid, mortes por policiais, mortes por feminicídio, é, foram muitas mortes.

E diante de tudo isso um país paralisado, um governo que incentiva o caos, a barbárie, a desigualdade. Valores invertidos, abusos de poderes, uma moral duvidosa e muitos crimes, sem falar de uma pilha de pedido de impeachment devidamente engavetados. É, 2020 ficará na história, com as mentiras mais absurdas, tentam justificar o injustificável, e a culpa é… do PT, do Lula.

Já que falei do PT, vamos falar de um marco que reverbera até hoje, a Educação, o Ensino Superior Público, todas as políticas criadas de incentivo à Educação e Cultura. Saudades do meu presidente, é assim que fala né?

Fico recordando dos feitos, e o que mais me toca foi a democratização do acesso e a permanência nas Universidades Públicas, as cotas com seu recorte socioeconômico, que possibilitou várias pessoas a serem a primeira geração a pisar numa universidade. Esse dispositivo que possibilita a entrada nas universidades é fundamental para atingir diretamente os estudantes mais precarizados, abrindo perspectivas de mudanças reais para esses estudantes.

Hoje, quase 20% dos estudantes do ensino superior são negros, e ainda é pouco se pensarmos que mais que a metade da população são de negros, pardos e indígenas. Mas, comparado aos 3% de estudantes antes das cotas, houve um aumento significativo, esse dado nos leva a refletir sobre o risco do retrocesso nas políticas afirmativas caso se implementem o que eles chamam de contingenciamento na educação. Essa ameaça trará um quadro desastroso com possíveis fechamentos de cursos e diminuição de vagas, implicando também num ataque as lutas raciais e a busca de igualdade de oportunidades, visto que serão essa população a mais atingida.

A socialização da educação formal tem que estar como meta principal em qualquer governo progressista, pois todas e todos tem o direito de ter a opção de estudar, e a liberdade de escolher o seu caminho. É inadmissível direcionar o destino de uma pessoa conforme sua posição socioeconômica, quero ver a diversidade em todos os lugares, uma sociedade mais horizontalizada, onde o desenvolvimento das forças produtivas não esteja atrelado à exploração e opressão dos trabalhadores.

Sou de uma geração que eram muito poucos os filhos da classe trabalhadora que ingressavam em universidades públicas, para eles cabiam adentrar no mundo do trabalho para poder custear seus estudos em universidades privadas, ou fazer um curso técnico profissionalizante, sendo que a maioria encerrava os estudos neste momento. A universidade pública era para os filhos da classe abastada que podiam pagar por uma educação de qualidade, com cursos preparatórios, de línguas, etc. Esses conseguiam entrar e permanecer na Universidade, tendo como exclusiva preocupação sua formação, bastava a eles somente estudar.

Poder acompanhar o progresso na democratização da educação foi um prazer enorme que me estimulou a voltar para a sala de aula, terminar um curso superior numa universidade pública tem um significado importantíssimo em minha vida e no direcionamento que dei a ela, foi constatar que as lutas não foram em vão, e que sim, é possível ter uma formação de qualidade, pública e construída coletivamente, que nem com todas as precarizações sofridas ao longo dos anos a fez desmoronar, e que estamos vivos e preparados para lutar pelas próximas gerações.

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