Arquivo mensal maio 2020

porFBD

O BRASIL DE UM GOVERNO DESQUALIFICADO

por Artemis Zamir

Enquanto o mundo assiste perplexo o tratamento que o bizarro, tresloucado e negacionista presidente Bolso Nero trata a mais terrível pandemia já vista no mundo globalizado, o brasileiro parece que anda anestesiado ou sob efeito de fortíssimos ansiolíticos, que os transformaram em meros espectadores da crise que diariamente é produzida seja ela por escândalos ou por atabalhoadas decisões do presidente ou de seu ministério do horror. O certo mesmo é que os mais sóbrios, podem sem nenhum grande esforço, constatar que hoje vivemos o período mais desanimador da política em toda a nossa história republicana. E o pior é que esse período vem justamente em meio a uma fase pandêmica, onde o governo em vez de agir e colocar todo o aparato da máquina a serviço do povo para promover o salvamento de vidas, o que faz é totalmente o contrário. Promove todos os dias confusões com governadores, prefeitos, intrigas com auxiliares, interferências em instituições como o Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, Policia Federal, todos sem exceção. O governo é um desastre total.

Esta semana vimos estupefatos, a reprodução do vídeo de uma reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril, que mais parecia uma reunião de uma quadrilha, que propriamente de um presidente e seu ministério. Onde era pra ser tratado assuntos de governo, assuntos para o país e seu povo, assuntos referente a pandemia que assola o mundo e o Brasil que já é o segundo em casos em todo o planeta, vimos foi a combinação de crimes e até seus modus operandi, dissertados não só pelo presidente, mas também por vários de seus ministros. Do presidente, pode-se ver seu desejo em transformar a Policia Federal em sua Polícia Política para proteger a si e sua família, que hoje enfrenta várias denúncias tanto no Ministério Público como na própria Policia Federal. Dos ministros, podemos ver do Sr. Weintraub, a declaração de que odeia o termo “Povos Indígenas”, e que os vagabundos do STF (Ministros) teriam que ser presos a bem de suas ideologias tacanhas e tóxicas. O Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, protagonizou talvez o momento mais terrificante ao declarar “Precisa ter o esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid, e ir passando a boiada, ir mudando todo o regramento e simplificando normas, de Iphan, de Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente, ministério disso, ministério daquilo”, disse Salles. O ministro Paulo Guedes mostrou a todos a que veio e a quem serve. Mostrou que são os bancos e grandes empresas seu alvo de investir o dinheiro público e não os micros e pobres empresários que são pra ele, a plebe que talvez precise ser extinta. Enfim, tinha de tudo, menos projetos e programas para o país e seu povo. Vimos um presidente desqualificado, despreparado administrativamente, politicamente e humanamente. Pessoa mal educada, boca suja e desrespeitoso com seus auxiliares.

É urgente que as instituições constituídas se articulem e salvem o país. Urge que tirem esse tirano do poder antes que o fascismo se estabeleça em toda sua plenitude no seio da sociedade.

O principal assunto em todo o mundo é o combate a pandemia ocasionada pelo vírus Covid-19. As secretarias estaduais de Saúde, confirmam hoje no país 352.744 novos casos do novo coronavírus com 22.291 mortes. Já somos o segundo país no mundo em número de casos confirmados da doença, atrás apenas dos Estados Unidos. E apesar de todos esses números alarmantes, temos um presidente focado apenas em criar crises das mais diversas possíveis em seu governo. Não tem casos no mundo em que um líder tenha atacado tanto o seu ministério da saúde como aqui, onde chegou a trocar de ministro duas vezes em menos de 60 dias. Hoje, no órgão que é o responsável pela administração da crise está colocado como ministro um general especializado em logística e que por sua vez, ao invés de se cercar de notáveis da saúde, aparelhou toda a estrutura do órgão com tantos outros militares. O governo demonstra todo o seu desapreço por seu povo e pela doença. Prega a minimização da pandemia e acha que a imprensa exagera na divulgação de notícias ruins como a realidade das mortes e dos parentes que não podem celebrar o enterro de seus entes queridos. A desumanidade com que trata as pessoas, seus compatriotas, é inacreditável, assustadora e indigna. 

Não temos ainda a noção exata do que nos espera após a pandemia no Brasil e no mundo. O que sabemos é que nada será como antes. Economistas renomados já alertam que centenas de milhões de pessoas serão empurradas para a extrema pobreza. A fome atingirá outras milhões de pessoas e as economias mundiais não se reerguerão a tempo de suprir tantas necessidades que são sempre mais velozes que os números contábeis. Mudarão com certeza nossos costumes, nossas rotinas e nossa maneira de viver no mundo. Novas tecnologias deverão surgir com maior rapidez para ajudar na vida das pessoas e o mundo será de fato bem diferente daquele que conhecemos. Nossa desvantagem é que seguiremos sempre atrás das grandes potencias pela inercia, inabilidade, despreparo e desqualificação deste governo.

O Brasil precisa encontrar novamente o rumo do desenvolvimento, do progresso e do bem estar das pessoas. Mas não deve ser antes de cuidar da saúde do seu próprio povo. Não tem como se admitir uma economia forte sem um povo igualmente forte. Não será jamais com ideologismos morais, de costumes ou fundamentalismos religiosos que chegaremos a algum lugar. Chegaremos sim, mas com um estado laico, livre, democrático, onde as instituições, a imprensa e o povo, tenham suas liberdades garantidas e exercidas dentro do que determina a nossa Lei Magna. Basta dessa paranoia de comunismo, basta de imaginar inimigos atrás das portas, basta de perseguições, basta de mentiras, basta.

Estamos confinados e não temos tempo, nem meios para ocupar as ruas e lutar para promover as mudanças que o Brasil precisa. Resta-nos, contudo, no meu modo de ver, a obrigação de todos nós, em cobrar àqueles que ajudaram no passado a viabilizar esse governo, a corrigir e promover as mudanças que precisamos para que saiamos e rápido desse abismo profundo que nos lançaram, sejam eles instituições setores de classes sociais e imprensa em geral. 

A hora é de lutar por uma nova ordem democrática e por uma verdadeira libertação de um fascismo já em andamento.

porFBD

O ADIAMENTO DO DIREITO

por Otávio Carvalho

Desde os primórdios de janeiro, via internet, acompanhava-se a rápida difusão do vírus, ou seja, somado a propagação quase sem controle e uma onda crescente de negacionismo para com a ciência mundial, ainda além, acrescido de uma agenda federal de descrença no poder do COVID-19, tornou-se pertinente que a batalha contra este, no Brasil, seria extensa e cruel, devido uma falta de ações para preparar o sistema de saúde e sobretudo, difundir medidas de segurança básica, portanto a soma do contexto histórico brasileiro conjuntamente com a cultura popular de não respeitar normas e a promoção dessa conduta conspiracionista, de forma terrível, evidenciava que o embate contra o coronavírus viria a ser longo e de duas faces, combatendo o vírus e a descrença de que o único ‘remédio’ – por hora – seria o isolamento social.

Manter o ENEM na data prevista, é um descaso genocida contra a educação brasileira, se faz necessário ser totalmente contra o não adiamento, tal que, estamos todos imersos em um período de provações e dificuldades que atingem expressivamente toda população mundial, portanto ser a favor do adiamento deste, surge como um assunto extremamente polêmico. O Exame Nacional do Ensino Médio, permutando entre diversos períodos, firmou-se como um importante instrumento de consumo – ao contrário do senso comum que afirma bravamente que permite o acesso, fato que não ocorre pois questões variadas não foram mudadas e a estrutura social desigual, ainda que mitigada, continua no mesmo norte – as universidades públicas, através do próprio ENEM e também com outros mecanismos como SISU, ProUni e FIES.

Manter o calendário proposto para o ENEM – seria um problema enormemente incontrolável no presente governo, visto que, a redução das desigualdades sociais não é presente na agenda educacional atual, tal qual falas do ministro da educação que afirmara que o ENEM não serve para corrigir tais -, o adiamento se faz a única alternativa que, minimamente diminua o absurdo grau de disparidade social entre rede privada x rede pública, classe carente x classe rica, uma vez que com a suspensão das aulas, a grade curricular será afetada bruscamente, não será possível o êxito em cumpri-la por completo e isso prejudica não um grupo, mas todos os que se propuserem a realizar a prova, ainda que tenha pontos positivos e negativos para os dois lados da “disputa”, pois, como alguns ainda insistem em reproduzir o discurso de exclusão de que isso beneficiaria, tornando talvez mais fácil a prova e adequada ao calendário, isso na prática não acontece e ainda surge o discurso que propaga que as cotas servem para isso, pois bem, há muitas coisas que não falam na escola, e uma delas é que cota não é esmola (Bia Ferreira, canção Cota não é esmola).

Nesse período que estamos todos sendo surpreendidos pela pandemia do COVID-19, estudar tem sido quiçá a tarefa mais trabalhosa aos estudantes do mundo e sobretudo do Brasil. Há os que estudam normalmente, abstendo-se do mais puro e pequeno senso de humanidade e compaixão, em estado de êxtase, não sofrendo nenhuma influência com todas as notícias terríveis diárias e, tirando proveito da situação excludente para com seus semelhantes de classes inferiores, os que possuem condições e exercem alteridade, sofrendo com o cenário cruel de mortes e contaminados que não conseguem manter uma saúde mental necessária para o imperativo estudar e por fim, aqueles que se quer acesso à internet podem usufruir, e é sobre estes que se trata a polêmica, pois a dificuldade do estudo nesse momento é seletiva, de forma que limita pela classe que o sujeito pertence e também ao grau de preparo por parte do aluno à conseguir foco e disciplina direcionadas para o estudo, de modo a cumprir as atividades propostas via EAD – que majoritariamente é a forma como a classe estudantil agora usa para o ensino – e também, da necessidade dos professores terem de se reinventar da noite para o dia, tarefa muito árdua, logo, preparar-se é quase impossível dessa forma, pois a necessidade do calor da sala de aula torna a aprendizagem muito mais lúdica e proveitosa e não menos importante, quanto mais tempo sem esse meio permanecermos, até que seja humanamente seguro e sem absolutamente nenhum risco à população, o ensino será afetado de maneira nunca vista. Relatos do país inteiro, evidenciam que mais do que nunca as desigualdades socioeducacionais foram tão fortes e agravadas, surgidas com a agenda neoliberal pseudo assistencialista de mercantilização de direitos básicos como a educação – que é garantida pela constituição brasileira, como também é obrigação do Estado provê-la, ou seja, torna pertinente as palavras do querido, Cazuza, que nos faz refletir sobre a quem interessa que a prova seja mantida ou adiada, porque mantê-la é decretar partido para o lado contrário da promoção do bem estar: Brasil mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim; qual é o teu negócio, o nome do teu sócio?

O adiamento do ENEM, torna-se então a única maneira plausível de ação. Inertes no sistema de produção capitalista, os milhares de jovens mas sobretudo seres HUMANOS, sonham com a oportunidade de mudar de vida e talvez o ENEM a única, já que, têm sua liberdade cruelmente condicionada às condições econômicas, ou seja, são aquilo que possuem. Desse modo, não adiar o que é o último sopro de esperança para o nosso país, que possibilitaria que mais artistas, engenheiros, médicos, professores e todas as demais carreiras nascessem, mas sobretudo que a população brasileira tivesse a oportunidade de tornar-se humana de fato, tendo garantido o seu direito de estudar. O contrário disso seria colocar uma pá de concreto em cima da humanidade em nosso país e decretar descaradamente que o lucro é mais importante que a vida e ainda, que a educação não serve de nada a não ser formar alienados e analfabetos funcionais. Portanto é obrigação de todo estudante e de todo brasileiro lutar pela manutenção do Exame Nacional do Ensino Médio e pelo futuro da educação, eliminando as distinções bárbaras entre classes sociais antagônicas, fundando um futuro social melhor que só é possível se pequenas medidas como o adiamento do ENEM 2020, tornarem-se realidade, a ponto de incluir e promover o único meio tal qual a nossa população tão aguerrida tem para se defender de pandemias – a educação de qualidade -, assim sendo, promovendo o sentir no mais profundo de cada um, qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo.

porFBD

QUANDO O VÍRUS PASSAR

por Artemis Zamis

Quando o vírus passar, me restará o sonho.

Restará sonhar com um mundo mais igualitário, por que não? Um mundo onde possamos todos ter o governo que sempre almejamos, com distribuição de renda, salários dignos, pleno emprego e respeitado em todo o mundo.

Quando o vírus passar, quero que todos tenham deixado para trás a dupla tragédia que nos assola nos dias de hoje, o vírus e o presidente do país.

Quando o vírus passar, sonho com a esperança de volta, sem pessoas dormindo nas ruas, sem crianças nos faróis, sem violências domésticas, sem choro, sem fome, apenas vida.

Quando o vírus passar, sonho em não ver nunca mais pessoas debochando dos mortos e das famílias que perderam seus entes queridos na pandemia. Sonho com seres humanos de verdade que se importarão com o seu semelhante e com a natureza.

Quando o vírus passar, sonho com a humanidade mais irmã, mais solidária, mais assistida. Sonho com crianças bem educadas, idosos felizes e todos com muita saúde.

Quando o vírus passar, quero caminhar por uma estrada de chão batido, com árvores frondosas nas duas margens e por onde possa ver entre suas espessas folhagens, os raios dourados do sol tentando alcançar o chão surrado pelo vai e vem de carros e pessoas. Eu sei que no fim dessa estrada tem uma cascata que escorre por uma pedra branca e forma uma piscina geladíssima de borda infinita sobre seixos, cada um com sua forma, sua beleza e sua particularidade. Então é o momento de contemplar o arco-íris que está bem ali na minha frente e lembrar que é de lá que vem toda essa esperança e esse sonho de que quando o vírus passar tudo mudará pra melhor.

Quando o vírus passar, eu tenho a certeza de que novas mentes e novas ideias haverão de permear nosso universo. Eu sonho que o ódio, a violência, o racismo, a misoginia e todos os males que hoje nos jogam na cara todos os dias deste governo perturbador, serão varridos por uma onda de civilidade e de conscientização.

Quando o vírus passar, sonho que a intolerância, o ódio, a agressividade a impaciência, a estupidez, a mentira, terão sido banidas de nossas vidas, junto com os cala-bocas, as bananas, o resfriadinho, a pandemia é só uma neurose, minoria que se curve a maioria, a festa danada das empregadas domésticas, tudo isso, tenham também sido só um passado tenebroso.

Quando o vírus passar, sonho que um povo forte se levantará de todos os cantos do mundo, que serão como nuvens de chuvas, só que carregadas de vontade intempestiva de semear no novo mundo, o amor, a paixão, o trabalho e a liberdade.

Quando tudo isso passar, eu só quero ouvir no fim do arco-íris, o canto da sereia entoando Sinônimos de Zé Ramalho, nos versos :

“Quem tem amor na vida tem sorte
Quem na fraqueza sabe ser bem mais forte”

Quando tudo isso passar, seremos nós os responsáveis pela reconstrução desse mundo melhor.